O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a abertura de uma nova fase na investigação que envolve o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Em decisão recente, Dino afirmou que os R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos com o parlamentar em dezembro podem ter origem em desvio de recursos públicos. A quantia foi localizada pela Polícia Federal (PF) durante uma operação que já investigava suspeitas de irregularidades.
Investigação aponta possível peculato
De acordo com o ministro, a investigação da PF passou a apontar indícios de desvio de verbas da cota parlamentar. O dinheiro apreendido seria fruto de peculato, ou seja, apropriação indevida de recursos públicos por agente público. Dino citou como elemento de suspeita o fato de o imóvel que teria dado origem ao montante ter sido registrado em cartório somente após a apreensão do dinheiro, o que levantou questionamentos sobre a cronologia dos fatos.
Advogado envolvido em transações suspeitas
Outro fator que aumentou as suspeitas foi a participação de um advogado em transações imobiliárias relacionadas ao caso. Esse profissional já havia sido mencionado em outras investigações por suposto envolvimento em esquemas de desvio de recursos. A PF agora busca esclarecer se o dinheiro apreendido tem ligação direta com contratos firmados pelo gabinete do deputado ou se há outras fontes ilícitas.
Sóstenes nega irregularidades
Em nota, a assessoria do deputado Sóstenes Cavalcante negou qualquer irregularidade. O parlamentar afirmou que o dinheiro apreendido é fruto de venda de um imóvel particular e que toda a documentação foi apresentada à Justiça. No entanto, a decisão de Flávio Dino autoriza a PF a aprofundar as diligências, incluindo a quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas ligadas ao caso.
Próximos passos da investigação
A nova fase da investigação deverá ouvir testemunhas, analisar documentos e rastrear o fluxo financeiro dos valores apreendidos. O STF também determinou que a PF verifique se há outros parlamentares envolvidos em esquemas semelhantes. O caso segue sob sigilo, mas a decisão de Dino já foi comunicada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá oferecer denúncia se houver provas suficientes.



