Deolane Bezerra vira ré: entenda a cronologia da Operação Vérnix
Deolane Bezerra vira ré: cronologia da Operação Vérnix

A prisão de Deolane Bezerra na Operação Vérnix completa um mês neste domingo (21). A investigação da Polícia Civil de Presidente Venceslau (SP) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) alterou a rotina da advogada e influenciadora. Em 30 dias, o processo avançou pelas etapas de prisão, indiciamento, denúncia e aceitação da ação penal, tornando-a ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada à cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

21 de maio: prisão de Deolane na Operação Vérnix

A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo deflagraram a Operação Vérnix, voltada à apuração dos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, que envolve uma transportadora localizada no Oeste Paulista. A ação ocorreu por meio da Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Gaeco – Núcleo de Presidente Prudente. Em 21 de maio, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Deolane Bezerra, em Barueri, na Grande SP, onde ela foi presa. Everton de Souza (Player) também foi preso, indicado como operador financeiro da organização. As investigações apontaram movimentação financeira bilionária ligada à facção criminosa, envolvendo uma transportadora investigada por ligação com o PCC, que movimentou cerca de R$ 20 milhões em Presidente Venceslau.

22 de maio: transferência para Tupi Paulista

Após a prisão, Deolane passou a noite na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo. No dia 22 de maio, ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), onde está desde então. Deolane está em uma cela especial de 9 metros quadrados e divide espaço com outra advogada na cadeia, com acesso semanal a batom, esmalte e chapinha. A influenciadora também tem acesso a cela individual equipada com cama, mesa, cadeira, banheiro com chuveiro elétrico, ventilador, televisão, água gelada e garrafa térmica, além de solário para banho de sol diário. A rotina de Deolane como detenta começa às 7h com o café da manhã e vai até às 18h, quando volta para a cela após o jantar, às 16h30.

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27 de maio: depoimento e silêncio

A influenciadora Deolane Bezerra preferiu permanecer em silêncio durante depoimento à Polícia Civil no interior paulista no dia 27 de maio, conforme apurado pela TV TEM. Segundo a Polícia Civil, a influenciadora participou da oitiva acompanhada por uma das irmãs, que é advogada. No entanto, por orientação do advogado Aury Lopes Jr., Deolane optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. A polícia havia destacado que a oitiva da investigada era uma das etapas finais da investigação.

29 de maio: indiciamento por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Em 29 de maio, o g1 noticiou que Deolane Bezerra foi indiciada pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro pela Polícia Civil de Presidente Venceslau, após as autoridades concluírem o relatório do inquérito da Operação Vérnix. O documento detalha o resultado das investigações após o cumprimento das medidas judiciais da fase que levou à prisão da influenciadora e de outros investigados em 21 de maio. Além da influenciadora, a Polícia Civil indiciou outras seis pessoas no relatório complementar: Alejandro Herbas Camacho Júnior (irmão de Marcola); Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como contador do grupo; Everton de Souza (Player); Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho de Marcola); Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), apontado como chefe da facção criminosa; e Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha de Marcola). Nessa fase, a Polícia Civil formalizou os indiciamentos por lavagem de dinheiro e organização criminosa, e apresentou representações complementares ao Poder Judiciário, incluindo pedidos de sequestro cautelar de veículos, ampliação de bloqueios patrimoniais e custódia judicial de joias e relógios.

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10 de junho: denúncia do Ministério Público

Quase 20 dias após a prisão da influenciadora e advogada, o Ministério Público denunciou Deolane Bezerra à Justiça, em 10 de junho. Além de Deolane, outras cinco pessoas foram denunciadas, entre elas Marcola e parentes, com exceção de Eduardo Affonso Rodrigues. A Justiça negou o pedido de Deolane Bezerra para transferência à Sala de Estado-Maior, ou para que a prisão preventiva fosse substituída por prisão domiciliar, e manteve a prisão preventiva em Tupi Paulista. O Ministério Público reforçou que o pedido de prisão domiciliar não é oferecido nos casos de organização criminosa que opera mediante violência.

16 de junho: Deolane vira ré

Na atualização mais recente do caso, a Justiça de Presidente Venceslau aceitou, em 16 de junho, a denúncia do Ministério Público e converteu a advogada Deolane Bezerra em ré, por organização criminosa e lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao aceitar a denúncia do Ministério Público, a Justiça torna a pessoa ré e dá início à ação penal. Isso não significa que ela foi condenada. A partir dessa decisão, o processo segue para a fase de produção de provas e apresentação da defesa, até que a Justiça decida se o acusado é culpado ou inocente. Além dela, também se tornaram réus Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Souza. Eduardo Affonso Rodrigues não foi denunciado; o Ministério Público pediu o desmembramento da investigação em relação a ele, e o juiz acolheu o pedido, determinando a abertura de um novo inquérito policial para aprofundar as investigações.

Fases da investigação

A Operação Vérnix, do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, teve origem em uma investigação que começou há sete anos e contou com quatro fases, as quais revelaram um esquema estruturado de lavagem de dinheiro envolvendo uma empresa de fachada controlada pela cúpula da facção. A primeira fase envolve a descoberta de anotações na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em 2019, indicando tráfico, ligação com chefes do PCC e planos de atentados. Os bilhetes e manuscritos estavam em posse de dois presos. Na segunda fase, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, a poucos metros do presídio de segurança máxima no oeste paulista, que seria usada para lavar dinheiro, com movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada. Na terceira fase, a Operação Vérnix ocorreu: a partir da investigação sobre o esquema de lavagem de dinheiro por meio da transportadora, a polícia encontrou um aparelho celular oculto com um dos operadores do PCC. A análise de mensagens revelou controle direto do esquema pelos chefes do PCC, com divisão de lucros e uso de intermediários, entre eles Deolane Bezerra e Everton de Souza. Na quarta fase, os relatórios financeiros trouxeram a confirmação técnica da lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, depósitos fracionados e ocultação de patrimônio.

Quem está preso ou foragido atualmente?

Até a última atualização desta reportagem, das seis pessoas consideradas rés, quatro estavam presas e duas eram consideradas foragidas no exterior. Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), preso desde 1999, está na Penitenciária Federal de Brasília desde 2022, condenado a 330 anos por diversos crimes, apontado como líder máximo do PCC e considerado proprietário oculto da Transportadora Lado a Lado. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (Gordão), irmão de Marcola e co-líder do esquema, está preso na Penitenciária Federal de Brasília desde fevereiro de 2019. Everton De Sousa (Player) foi preso na Operação Vérnix em 21 de maio e está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, atuando como operador financeiro de Alejandro. Deolane Bezerra Santos está na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista; a investigação apontou que ela atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC. A conta no banco dela foi utilizada para o recebimento de depósitos fracionados oriundos diretamente da empresa de fachada, a mando de Everton. Além disso, a influenciadora tinha planos de reestruturar suas empresas e enviar recursos para fundos em Dubai, localidade conhecida por abrigar as chamadas “shell companies”, usadas para facilitar a lavagem internacional de dinheiro da facção. Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola, está foragida no exterior, atuando como mensageira e intermediária de seu pai na gestão dos negócios ilícitos. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, filho de Alejandro e sobrinho de Marcola, está foragido no exterior, integrando o núcleo financeiro da organização criminosa.

O que acontece agora?

Ao g1, o advogado criminalista Alisson Oliveira de Sousa Cruz explicou o que acontece após uma pessoa se tornar ré, de maneira geral, a partir do princípio da presunção da inocência. No caso de Deolane, Marcola e dos demais envolvidos que se tornaram réus, agora é o momento em que eles são intimados para apresentar a resposta à acusação, conforme previsto na decisão da Justiça de Presidente Venceslau. A influenciadora digital tem o prazo de 10 dias para apresentar uma resposta escrita à acusação. “Após essa resposta à acusação, é marcada a audiência e, em seguida, o advogado vai fazer a defesa final, chamada de alegações finais, a partir dos requerimentos defensivos e acusatórios”, afirma o advogado Alisson. “Depois disso, se ela for condenada, o processo vai para apelação, em que o Tribunal de São Paulo vai averiguar se vai reformar a pena, se vai continuar com a eventual absolvição, após o juiz sentenciar o caso.” O especialista não está na defesa do caso da Deolane ou da família de Marcola e, por isso, não teve acesso aos autos dos processos. “Posterior a isso, se a defesa ou o promotor ficarem inconformados [com a sentença], ainda dá para subir o recurso, chama recurso especial no STJ, tentando modificar a situação processual”, completa. No caso de Marcola e Alejandro, que estão presos na Penitenciária Federal de Brasília, e de Everton, preso no CDP de Caiuá, também vale o prazo de até 10 dias para apresentar uma resposta escrita à acusação. Já para Paloma e Leonardo, sobrinhos de Marcola que estão foragidos no exterior, o prazo é de 15 dias para apresentar a resposta, após a citação por edital e a expedição de mandado de citação pessoal, nos endereços conhecidos.