Dentista denunciada por deixar pacientes deformados após cirurgias é indiciada
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investiga a dentista Valéria Martins Ribeiro, de 33 anos, por procedimentos estéticos realizados em Goiânia e a indiciou pelos crimes de lesão corporal gravíssima e exercício ilegal da medicina. Segundo a corporação, seis vítimas são citadas nesta primeira investigação, que já foi encaminhada ao Poder Judiciário.
Valéria foi presa em maio deste ano durante a Operação Protocolo de Risco, que apura denúncias de pacientes que relataram sequelas após procedimentos estéticos realizados em uma clínica no Setor Bueno. Dias depois, ela foi solta por decisão judicial e passou a responder à investigação em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.
A defesa informou ao g1 que ainda não foi comunicada oficialmente sobre o indiciamento e, por isso, não irá se manifestar neste momento. Segundo a defesa, um posicionamento será apresentado após o acesso formal à conclusão do inquérito.
De acordo com o delegado Wladimir Freire, responsável pelas investigações, o procedimento concluído reúne seis casos considerados pela polícia como os mais avançados para responsabilização criminal. "Constam seis vítimas nesse inquérito. Ele já foi finalizado esta semana e colocado à disposição do Judiciário", afirmou.
O que diz o inquérito
Segundo a investigação, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) informou que Valéria Martins Ribeiro não possuía qualquer especialidade registrada junto à autarquia. Ainda de acordo com a Polícia Civil, a dentista realizava procedimentos como rinoplastia, lipoaspiração de papada e outras intervenções estéticas faciais.
O inquérito concluiu que há indícios de que ela realizava procedimentos para os quais não possuía habilitação, motivo pelo qual também foi indiciada por exercício ilegal da medicina. Nas redes sociais, Valéria reúne quase 60 mil seguidores e se apresenta como especialista em harmonização facial e procedimentos na região da papada.
Pacientes relatam sequelas
Os relatos que deram origem à investigação apontam complicações como deformidades, fibroses, dores persistentes, necroses, infecções, cicatrizes permanentes e impactos psicológicos. "Ela acabou com o meu sonho, ela acabou com o meu sorriso, ela acabou com a minha alegria", afirmou uma das pacientes em entrevista à TV Anhanguera.
Outra vítima relatou que deixou de conviver socialmente após os procedimentos. "Hoje eu sou uma pessoa que não tenho vida social, porque eu tenho vergonha", disse. Uma terceira paciente afirmou que passou por procedimentos que não haviam sido combinados previamente. "No dia da cirurgia, foi feito procedimento em mim que não estava em acordo. Ela cortou a lateral da minha orelha toda, tanto na frente quanto atrás. Ela colou o lóbulo da minha orelha. Eu sofro muito com isso, muitas dores. Ficou a deformidade", relatou.
Outras investigações continuam
Segundo o delegado Wladimir Freire, a conclusão deste inquérito não encerra as apurações envolvendo a dentista. "Tenho mais nove investigações em aberto, em curso, que serão finalizadas e terão o mesmo destino", afirmou.
Durante a operação realizada em maio, além da prisão da dentista, a clínica foi interditada com apoio da Vigilância Sanitária. A polícia também apreendeu documentos, contratos, prontuários, equipamentos eletrônicos e pediu o bloqueio de R$ 600 mil em bens para garantir eventual ressarcimento às vítimas.
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás informou anteriormente que a profissional possui registro ativo junto ao órgão e que acompanha os desdobramentos do caso. O conselho também destacou que procedimentos estéticos e cirúrgicos na face só podem ser realizados por cirurgiões-dentistas com especialização comprovada em Cirurgia Estética Orofacial.



