Delegado de Roraima é denunciado por abuso de autoridade e falsidade ideológica
Delegado de RR denunciado por abuso e falsidade ideológica

O Ministério Público de Roraima denunciou o delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva, titular da delegacia de Rorainópolis, pelos crimes de abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e prevaricação. A denúncia foi apresentada à Justiça nesta quarta-feira, 10 de janeiro.

Entenda o caso

Segundo a denúncia, os crimes teriam ocorrido nos dias 24 e 25 de julho de 2025, nos municípios de Caroebe e São João da Baliza, no Sul de Roraima. O delegado teria usado o cargo ilegalmente e agido fora de sua área de atuação para proteger o patrimônio da sogra. O g1 procurou a defesa do delegado, mas não obteve retorno até a última atualização.

De acordo com a Promotoria, Rick solicitou a outro delegado uma viatura e um agente policial para conduzir o gerente da loja da sogra, sob a alegação de suposto desvio de mercadorias. O pedido foi negado, pois não havia flagrante nem investigação oficial em andamento.

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No dia seguinte, mesmo sem autorização, Rick foi até o comércio em Caroebe, acompanhado da sogra e de outro funcionário. Apresentando-se como delegado ao gerente, cobrou explicações, afirmando: "eu só quero saber dos R$ 45 mil de produtos". A vítima disse não saber dos objetos, e Rick gritou, dizendo que "iria ferrar" o funcionário. Em seguida, levou o homem para a delegacia de São João da Baliza.

Falsificação no sistema

Na unidade policial, Rick mentiu aos agentes plantonistas, afirmando que o delegado titular já sabia do caso, para poder registrar a ocorrência. Ele passou a xingar a vítima e ordenou que não se levantasse nem deixasse a delegacia. Além disso, pegou o celular do gerente e enviou mensagens se passando pela vítima para obter informações sobre o suposto desvio de dinheiro.

O MP também destacou que Rick interrogou o gerente, que preferiu ficar em silêncio até a chegada de uma advogada. Para registrar o caso no sistema policial, Rick inseriu informações falsas e colocou o nome de outro delegado como responsável pelo ato. Ao saber da situação, o delegado titular foi à unidade, constatou as irregularidades e determinou o cancelamento de todos os documentos feitos por Rick, marcando nova data para ouvir os envolvidos.

Pedidos negados pelo MP

A defesa de Rick pediu sigilo na investigação, mas o MP foi contra. A promotora Lara Von Held Cabral Fagundes argumentou que "o caso investigado não contém qualquer segredo ou informação da vida privada capaz de justificar o sigilo". O documento também justifica a decisão de não oferecer um Acordo de Não Persecução Penal ao delegado, devido ao histórico de Rick, que "é investigado em distintos procedimentos criminais e administrativos, o que revela uma conduta criminal reiterada". O MP pede a condenação de Rick e a fixação de um valor mínimo de indenização pelos danos causados à vítima.

Preso em abril

Rick da Silva e Silva foi preso em 14 de abril, suspeito de interferir nas investigações do assassinato do casal Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e Rossana de Lima e Silva, de 49, encontrados carbonizados dentro de um carro em dezembro de 2025. No fim de abril, a Justiça determinou seu afastamento por 180 dias. Uma investigação do Gaeco revelou que ele transformou a delegacia de Rorainópolis em um "balcão de negócios", impedindo a assistência da Defensoria Pública aos presos e os direcionando para uma advogada específica, com quem dividia honorários. Testemunhas confirmaram o esquema e relataram cobrança de propina em dinheiro vivo. Ele também usava o cargo para coagir colegas, criar dossiês falsos e relaxar flagrantes ilegalmente. No caso do duplo homicídio, o juiz destacou que Rick é investigado por sabotar a cena do crime e ocultar provas que o vinculavam como devedor de uma das vítimas.

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