A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a Corte alcançará igualdade de gênero apenas quando as 11 cadeiras forem ocupadas por mulheres. A declaração foi feita nesta terça-feira, 4, durante o Summit Mulheres nas Profissões, evento organizado pela empresária Luiza Trajano, em São Paulo. A palestra foi uma das mais aguardadas do primeiro dia do encontro, que reuniu plateia lotada.
Igualdade plena no STF
“Quando me perguntam quando o Supremo Tribunal Federal terá igualdade de homens e mulheres nas cadeiras, eu respondo: quando as 11 forem de mulheres”, disse a ministra. “Porque nós tivemos sempre 11 homens dizendo que sabiam o que a gente queria. Ninguém sabe o que a gente quer. Quem sabe o que a gente quer é a gente mesmo.”
A ministra destacou que, embora o princípio da igualdade esteja previsto em leis, constituições e tratados internacionais, as mulheres ainda vivem em situação de desigualdade na prática. Ela citou a legislação brasileira que garante igualdade de oportunidades, mas ressaltou que a realidade está distante do previsto nas normas.
Crítica à ditadura da beleza
Cármen Lúcia também criticou a imposição de padrões estéticos, mencionando o aumento de casos de magreza extrema. “Resolveram impor que nós, mulheres, temos de ter 40 quilos. Fico preocupada quando vejo mulheres fazendo todo tipo de cirurgia, não para se contentar, mas porque o marido ou o parceiro tem gordofobia. Ele não gosta de você, minha filha. Qual é a parte que você não entendeu?”, disse, com bom humor.
A ministra reforçou que a igualdade é essencial para a democracia. “Não há democracia forte sem que haja a garantia de igualdade para todas as mulheres e homens”, afirmou.
Violência contra a mulher
Em sua palestra, que durou cerca de 40 minutos, a ministra alertou para desafios que agravam a desigualdade de gênero, como violência contra a mulher, crimes sexuais e cultura machista. “Quem está matando as mulheres são os parceiros e os amigos, no espaço mais sagrado da convivência, o lar”, reforçou.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que 80% dos casos de feminicídio no Brasil envolvem parceiros ou ex-parceiros. A ministra citou esses números para ilustrar a gravidade do problema.
Compromissos para enfrentar a desigualdade
Cármen Lúcia listou três compromissos para a plateia. O primeiro é o investimento em educação para promover cultura de respeito e igualdade entre meninos e meninas desde a infância. O segundo é a luta pelos direitos e a união entre as mulheres. “Não se ganha, se conquista”, orientou.
O terceiro compromisso envolve campanhas, incluindo uma que ela lidera com lançamento previsto para novembro, intitulada “Levante, mulher”, que prevê protestos com tarjas em prol de mulheres que foram mutiladas. A ministra participou do evento como autora do livro “Pela mão do povo – Democracia e voto no Brasil”.
“É preciso que isso valha dentro de casa, quando o parceiro diz: ‘Pode deixar, eu sei o que você quer, eu resolvo’. Não. Quem sabe de mim sou eu”, concluiu.



