Corinthians: Conselho suspende Mello Junior por 6 meses
Corinthians suspende conselheiro Mario Mello Junior

O Conselho Deliberativo do Corinthians decidiu suspender o conselheiro Mario Mello Junior por seis meses, em vez de expulsá-lo, pela participação na invasão ao quinto andar do Parque São Jorge em maio de 2025, quando houve a tentativa do ex-presidente Augusto Melo de retomar o cargo. A decisão, tomada na última segunda-feira, contrariou a recomendação inicial da Comissão de Ética, que pedia o desligamento do associado.

Decisão do plenário

Durante a sessão de julgamento, Mario Mello Junior admitiu culpa e pediu que o plenário considerasse uma pena mais branda. O relatório da Comissão de Ética sugeria a expulsão, mas, diante do pedido do conselheiro, o plenário optou por apenas suspendê-lo por seis meses. A medida gerou controvérsia, com temores de que possa abrir precedente para que outros conselheiros e ex-presidentes expulsos contestem suas punições na Justiça, argumentando que não tiveram a mesma oportunidade de ter uma pena alternativa votada.

Os conselheiros Maria Angela, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé foram expulsos em junho pelo mesmo episódio. Além deles, os ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo também foram punidos anteriormente. A diferença no tratamento dos casos levantou questionamentos sobre a consistência das decisões do Conselho.

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Justificativa da presidência

O presidente do Conselho, Romeu Tuma Júnior, explicou que Mario admitiu culpa e concordou com a condenação, mas apelou para que os conselheiros deliberassem sobre o tamanho da punição. Segundo Tuma, a votação não foi sobre condenar ou absolver, mas sobre a dosimetria da pena, uma vez que a condenação era certa.

— Consultei o plenário porque o Mario reconhecia que tinha de ser condenado e substituímos a absolvição por outra pena. Ele não foi a julgamento com a possibilidade de ser absolvido. Ele seria condenado, mas desligado ou suspenso — disse Tuma ao ge.

— Acolhemos o parecer na Comissão de Ética, mas, na dosimetria da pena, em comparação com os outros que tiveram a pena de desligamento, a punição foi amenizada pelos argumentos dele, pelo histórico no clube e pela individualização da participação dele no caso.

Divergência interna

O vice-presidente do Conselho, Leonardo Pantaleão, que presidiu os julgamentos anteriores que resultaram em expulsões, manifestou entendimento diferente. Ele afirmou que, naquelas ocasiões, não considerava cabível submeter ao plenário uma pena alternativa diferente da recomendada pela Comissão de Ética.

— Naquelas oportunidades, eu entendi que não cabia submeter ao plenário uma pena alternativa diferente daquela constante no parecer da Comissão de Ética, inclusive manifestei esse entendimento ao presidente Romeu Tuma antes da votação. A condução da sessão competia exclusivamente a ele, que adotou entendimento diverso e exerceu a prerrogativa inerente à presidência — comentou Pantaleão em áudio enviado ao ge.

— Eu mantenho integralmente a minha posição, que eu sempre defendi, de que não poderia criar essa pena alternativa. E é natural que a adoção de procedimentos distintos em casos semelhantes possa motivar questionamento por parte de quem foi julgado anterior.

Outros julgamentos

Na mesma sessão, o Conselho também decidiu expulsar os conselheiros Manoel Ramos Evangelista, o Mané da Carne, e Marcelo Mariano. Nos dois casos, eles pediram que o plenário adotasse o mesmo entendimento concedido a Mario, com a votação entre suspensão ou expulsão, sem a alternativa de absolvição. Mané da Carne foi expulso por ameaças à conselheira Suzy Miranda em 2022 e por denúncias de racismo em sessão do Conselho em 2023. Já Marcelo Mariano foi julgado pelo envolvimento no caso VaiDeBet, que resultou em denúncia criminal à Justiça e no impeachment de Augusto Melo.

A decisão do Conselho de suspender Mario Mello Junior, em vez de expulsá-lo, pode ter implicações jurídicas, pois abre precedente para que outros punidos busquem revisão de suas penas. O clube enfrenta ainda outros desafios, como a renovação de contrato com o atacante Memphis Depay, que desembarcou em São Paulo para acertar sua permanência, e o plano da diretoria para pagar transfer bans.

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