O pedreiro Milton Pereira dos Santos, de 53 anos, foi condenado a 89 anos, 1 mês e 10 dias de prisão pelos assassinatos de seus ex-sogros, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e Mario Domingos, de 59, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O crime ocorreu na noite de 23 de dezembro de 2024, e os corpos foram encontrados na manhã seguinte, véspera de Natal.
Pena detalhada
De acordo com a sentença do juiz Rodney Martins Farias, a pena total é composta por:
- Feminicídio: 61 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão
- Homicídio qualificado: 23 anos e 4 meses de reclusão
- Adulteração de sinal identificador de veículo: 4 anos de reclusão
- Violência psicológica contra a mulher: 10 meses de reclusão
- Fraude processual qualificada: 8 meses de detenção
Agravantes reconhecidos
O magistrado destacou fatores que agravaram os crimes, reconhecidos pelos jurados. No caso da morte de Maria Batista, houve emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. "A vítima Maria Batista de Oliveira, além de idosa, era portadora de cardiopatia severa e acometida por convulsões, condição que lhe agravava a fragilidade e suprimia qualquer aptidão de reação ou fuga", afirmou Farias.
O juiz também chamou a atenção para a frieza de Milton, que, no dia seguinte ao crime, foi à casa da família, deu um afago na ex-mulher e lhe desejou feliz Natal. A data do crime foi igualmente destacada: "Para os familiares das vítimas, a data deixará de ser tempo de festa e se converterá em marco anual de dor. O descompasso entre o significado afetivo da época e a violência do ato agrava o desvalor da conduta", disse o juiz.
Detalhes do crime
Segundo o delegado Cassius Zamó, Milton agiu insatisfeito com a separação recente da filha das vítimas, após um relacionamento de três anos marcado por abusos. Câmeras de segurança e depoimentos revelaram que ele planejou o ataque com a ajuda de um servente, também preso. Imagens mostram os dois suspeitos saindo de moto em direção à residência rural das vítimas, que foram mortas com golpes de facão.
Mais tarde, eles retornaram à cidade com roupas e objetos alterados, numa tentativa de criar um álibi. Câmeras da casa das vítimas foram desligadas antes do crime, ação que a polícia acredita ter sido planejada por Milton, que havia ajudado a instalá-las.
Prisão e defesa
Milton foi preso em 19 de janeiro de 2025, no Jardim Ingá, em Luziânia, após vários dias foragido. A polícia fez campana em frente a um imóvel que ele teria alugado para se esconder. Na época, ele negou os crimes.
A defesa de Milton, representada pela advogada Daniella Visoná, informou que avaliará eventual recurso. Em nota, afirmou: "O processo seguirá seu curso normal, com análise técnica da ata de julgamento e dos demais atos processuais para avaliação de um eventual recurso. A atuação da defesa sempre foi pautada na garantia do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, princípios indispensáveis em qualquer Estado Democrático de Direito."



