Condenado a 59 anos por morte de ativista Jonas Soprani em Linhares
Condenado a 59 anos por morte de ativista Jonas Soprani

O primeiro réu julgado pela morte do ativista político Jonas da Silva Soprani foi condenado a 59 anos e 6 meses de prisão. Genebaldo Carlos da Fonseca Júnior, de 30 anos, teve a sentença proferida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (16), em Linhares, no Norte do Espírito Santo. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.

O crime e a atuação do réu

Jonas Soprani foi morto a tiros em um bar no dia 23 de junho de 2021. Ele era conhecido na cidade por sua atuação política e pelo trabalho de fiscalização de agentes públicos. Uma segunda vítima também foi baleada, mas sobreviveu. A denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) apontou Genebaldo como um dos responsáveis por indicar os executores do assassinato e ajudar a ocultar provas após o crime.

A sentença destaca que o homicídio foi planejado com antecedência e executado por terceiros recrutados para a ação. O documento também cita que o réu exercia papel de liderança no tráfico de drogas em uma região conhecida como "pó do Shell", em Linhares.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Defesa vai recorrer

A defesa de Genebaldo informou que vai recorrer da decisão. Segundo os advogados, o entendimento é de que a condenação foi contrária às provas apresentadas no processo. Ainda de acordo com a defesa, os depoimentos que apontam a suposta participação do réu teriam sido colhidos apenas durante a fase de inquérito policial e não foram submetidos ao contraditório na fase judicial, o que, na avaliação dos advogados, não seria suficiente para embasar uma condenação.

Outros envolvidos

Outros três réus envolvidos no caso são o ex-vereador Waldeir de Freitas Lopes, apontado pelo Ministério Público como mandante do crime; Cosme Damasceno, que seria intermediário; e José Natalino Santos Mendes, indicado como executor. Os três aguardam julgamento de recursos apresentados pelas defesas perante o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES).

Waldeir de Freitas Lopes está preso. Cosme Damasceno está foragido, acusado de intermediar a ação criminosa e dirigir o veículo usado para levar os executores ao local do crime e garantir a fuga. José Natalino Santos Mendes, conhecido como "Bahiano", é apontado como um dos autores dos disparos e também está preso. Outro denunciado, Jhulian Harlei Alves de Souza, conhecido como "Dudu", morreu antes da conclusão do processo, e o Ministério Público pediu a extinção da punibilidade dele. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos acusados.

Condenação detalhada

Genebaldo foi condenado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, com emprego de meio cruel ou que possa resultar perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima), além de porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa. Ele também foi condenado por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra a segunda vítima. A condenação prevê ainda o pagamento de 703 dias-multa e indenização por danos morais. O juiz fixou o pagamento de R$ 100 mil para a esposa de Jonas Soprani e de R$ 20 mil para a vítima sobrevivente.

Na sentença, o magistrado destacou a gravidade da conduta do réu: "O grau de reprovabilidade da conduta do acusado é extremamente elevado, haja vista a alta intensidade do dolo do agente na prática criminosa e, além disso, o crime foi praticado de maneira premeditada e refletida [...] não se tratando, portanto, de uma decisão irrefletida, merecendo, certamente, maior censura". O juiz também justificou o regime inicial fechado pelo fato de o réu ser reincidente, ter sido condenado a uma pena superior a oito anos e possuir circunstâncias judiciais desfavoráveis. Na decisão, o magistrado destacou que Jonas era um ativista político que atuava na fiscalização de agentes públicos e que a morte dele causou "considerável perturbação social" em Linhares.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Quem era Jonas Soprani

Jonas Soprani foi candidato a vereador de Linhares nas eleições de 2020, mas não se elegeu. Conhecido como ativista político na cidade, ele costumava postar vídeos em suas redes sociais, nos quais dizia fiscalizar as ações da Prefeitura e da Câmara da cidade. Também foi o autor de denúncias entregues à Câmara. O ativista foi assassinado a tiros, aos 48 anos, no dia 23 de junho, enquanto estava em um bar da cidade, no bairro Novo Horizonte. Segundo a investigação, o crime teria sido motivado pela atuação política de Jonas e pelas críticas que fazia a agentes públicos da cidade.