O Tribunal do Júri de Governador Valadares condenou Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos a 31 anos e 2 meses de reclusão pela morte de Antônio de Lira Rodrigues, de 65 anos, cujo corpo foi encontrado carbonizado dentro de um carro às margens da BR-381, próximo ao distrito de Baguari, em julho de 2025. O julgamento ocorreu na quarta-feira, 17 de junho de 2026.
Condenação por homicídio qualificado e destruição de cadáver
Além do homicídio qualificado, Weuves foi condenado por destruição de cadáver. A pena será cumprida inicialmente em regime fechado, e o juiz negou ao réu o direito de recorrer em liberdade. Os jurados reconheceram, por maioria, a materialidade e a autoria dos crimes, rejeitaram a absolvição e acolheram as qualificadoras de motivo torpe e emboscada.
Na sentença, o juiz Vinícius da Silva Pereira destacou a frieza do acusado e o planejamento prévio do crime. Segundo o magistrado, Weuves teria deixado seus celulares com a mãe antes de encontrar Antônio para criar um álibi. O planejamento incluiu ainda o acompanhamento do carro da vítima por um comparsa e a carbonização do veículo para eliminar vestígios.
Motivação: dívida de R$ 200 mil
Conforme as investigações da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, o homicídio foi premeditado e motivado por desentendimentos financeiros relacionados a uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil. Antônio atuava com empréstimos particulares e cobrava o pagamento de Weuves. Um imóvel oferecido como garantia teria sido vendido sem autorização da vítima, agravando o conflito.
Reconstituição do crime por imagens
A Polícia Civil utilizou câmeras de segurança para reconstituir os últimos passos de Antônio. Ele saiu de uma chácara no bairro Vale Pastoril em 21 de julho de 2025 e, por volta das 12h30, encontrou Weuves no Centro de Governador Valadares. Os dois seguiram juntos no carro da vítima, e um carro branco os acompanhou até a BR-381. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 13h12 para combater o incêndio no automóvel, onde foi encontrado o corpo carbonizado. A identidade foi confirmada por exame da arcada dentária.
Complices e desdobramentos
Weuves foi preso em agosto de 2025, um mês após o crime. Em fevereiro de 2026, Carlos Daniel Feitosa de Souza foi preso em São Mateus, Espírito Santo, apontado como o homem que dirigiu o carro usado por Weuves e seguiu a vítima. O Ministério Público incluiu Carlos Daniel na denúncia, e a Justiça determinou o desmembramento do processo. Ele permanece preso preventivamente, com audiência de instrução marcada para 13 de julho de 2026.
Linha do tempo do caso
- 21 de julho de 2025: Antônio é encontrado carbonizado.
- 28 de agosto de 2025: Weuves é preso.
- 5 de fevereiro de 2026: Justiça decide julgamento pelo Tribunal do Júri.
- 9 de fevereiro de 2026: Carlos Daniel é preso.
- 12 de março de 2026: MP inclui Carlos Daniel na denúncia.
- 17 de junho de 2026: Weuves é condenado a 31 anos e 2 meses.
- 13 de julho de 2026: Audiência de Carlos Daniel.
Detalhes do julgamento
Durante a sessão, foram ouvidas testemunhas e o interrogatório de Weuves. O MP pediu condenação por homicídio qualificado e destruição de cadáver, com agravante por vítima maior de 60 anos. A defesa negou autoria por insuficiência de provas e pediu afastamento das qualificadoras. A pena final foi de 31 anos e 2 meses de reclusão e 12 dias-multa, sendo 30 anos pelo homicídio e 1 ano e 2 meses pela destruição de cadáver. O juiz determinou execução imediata, mantendo Weuves preso.
Reação da polícia
O delegado Ciro Roldão de Carvalho afirmou que a condenação representa dever cumprido e expectativa de condenação para o comparsa. A investigadora Geórgia Mata Mascarenhas destacou a importância das imagens de monitoramento, que fundamentaram a participação do acusado. "A sentença superior a 30 anos é uma vitória, embora não traga Antônio de volta", disse.



