Ralfe Cleiton Cordeiro, de 41 anos, foi condenado a 20 anos e 9 meses de prisão por matar a companheira, de 23 anos, por asfixia em Bom Despacho, no Centro-Oeste de Minas. O crime ocorreu na madrugada de 2 de fevereiro de 2022, enquanto a filha do casal, que tinha pouco mais de um ano de idade, dormia em outro quarto da casa. O júri popular aconteceu na última quarta-feira (15) na comarca de Bom Despacho.
Condenação e indenização
A Justiça também determinou o pagamento de R$ 20 mil de indenização por danos morais à família da vítima e decretou a perda definitiva do poder familiar sobre a filha que os dois tinham juntos. A defesa de Ralfe Cordeiro, representada pela advogada Laís Vidal Cardoso Gontijo, informou ao g1 que já apresentou recurso contra a condenação.
Tese de defesa
Segundo a advogada, durante o julgamento foi sustentada a tese de homicídio privilegiado por violenta emoção após injusta provocação da vítima. Conforme consta na sentença, a vítima teria danificado o carro do réu e o agredido com um cabo de vassoura. A defesa também buscou afastar a qualificadora de feminicídio. Ainda de acordo com a advogada, o recurso tratará de questões ocorridas durante o plenário do júri que, na avaliação dela, devem ser reexaminadas pelas instâncias superiores. Por fim, ressaltou que dois dos sete jurados votaram pela absolvição do réu.
Detalhes do crime
Ralfe foi condenado por homicídio qualificado por meio cruel. Segundo as investigações, ele usou um fio para asfixiar a companheira. O crime também foi reconhecido como feminicídio, por ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Os jurados ainda reconheceram a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação foi feita pelos promotores de Justiça Luana Cimetta Cançado e Lucas Augusto Resende Monteiro.
Ao fim do julgamento, a promotora Luana afirmou que a condenação trouxe um sentimento de alívio para os familiares da vítima. Segundo ela, embora a resposta da Justiça tenha levado mais de quatro anos, a decisão representa uma forma de reparação para a família.
Prisão e regime
De acordo com a sentença, a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Como respondia ao processo em liberdade, Ralfe teve a prisão determinada ao fim do julgamento e foi encaminhado ao Presídio de Bom Despacho, onde permanecerá à disposição da Justiça. A prisão dele foi confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp).
Dinâmica do crime
De acordo com a investigação, o casal vivia em união estável e tinha uma filha de pouco mais de um ano. Na noite anterior ao crime, eles iniciaram uma discussão que se estendeu até a madrugada. Em seguida, segundo a acusação, o homem atacou a vítima e a matou por asfixia. Após o crime, enquanto a filha dormia em outro quarto da casa, Ralfe enrolou o corpo da jovem em uma colcha e deixou o imóvel. A apuração criminal apontou ainda que ele chegou a pedir uma corrida por aplicativo para sair do local. O condenado, que na época trabalhava em uma farmácia da cidade, não foi localizado imediatamente e se apresentou à polícia apenas quando o período de flagrante havia acabado.
Testemunhas e registros policiais confirmaram que o relacionamento do casal era marcado por um histórico de violência, inclusive com denúncias anteriores feitas pela vítima ainda durante a gravidez.



