Cinco detidos em conflito fundiário na inauguração do IFRR em Rorainópolis
Cinco detidos em conflito fundiário na inauguração do IFRR

Cinco homens foram detidos pela Polícia Militar de Roraima nesta terça-feira (14) durante uma confusão envolvendo disputa de terra na cerimônia de inauguração do projeto de construção do Instituto Federal de Roraima (IFRR) em Rorainópolis, ao Sul do estado. A área, de 76,44 hectares, é alvo de uma disputa judicial que envolve o próprio instituto, a prefeitura, órgãos federais e moradores que ocupam o local.

Detenções durante a cerimônia

Segundo a PM, os cinco homens estavam construindo uma cerca para dividir parte do terreno da instituição. A área em litígio fica a aproximadamente 700 metros da BR-174. A confusão ocorreu no momento em que autoridades locais e representantes do IFRR celebravam o início das obras do novo campus.

Histórico da disputa judicial

Em outubro de 2025, a Justiça Federal determinou a desocupação da área. A decisão chegou a ser suspensa após uma moradora apresentar documentos alegando ser proprietária do local. No entanto, em fevereiro de 2026, o Poder Judiciário reconsiderou e restabeleceu a ordem de desocupação.

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A Justiça de Roraima decidiu que a Prefeitura de Rorainópolis deve conduzir a desocupação e a retirada de construções, já que a área é destinada à construção do IFRR. A disputa jurídica era contra a empresa Bagnara Imóveis Eireli e o empresário Edinei Bagnara, por ocupação irregular de uma área pública e pagamento de dívidas processuais.

Decisão judicial e responsabilidade municipal

A juíza Anita de Lima Oliveira destacou que a posse do terreno já foi reconhecida judicialmente em favor do município. Por isso, cabe à própria prefeitura adotar as medidas necessárias para retomar a área e remover as construções consideradas irregulares. A magistrada também ressaltou que a Justiça não deve substituir as atribuições administrativas do município. Segundo ela, o apoio do Judiciário ou das forças de segurança só será necessário se houver resistência que impeça a atuação dos agentes públicos.

Impacto no projeto e recursos do PAC

Em 2023, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cedeu oficialmente o local ao IFRR para a construção do campus. Porém, quando a construtora chegou para instalar o canteiro de obras, foi barrada por moradores. De acordo com o IFRR, o projeto já conta com cerca de R$ 2 milhões liberados após a assinatura da ordem de serviço. No entanto, com os trabalhos paralisados, o Ministério da Educação (MEC) cobrou avanços ao instituto, que temeu que o dinheiro fosse redirecionado para outros estados.

A decisão da Justiça Federal alertou para o risco de perda dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O instituto reforçou que, além do prejuízo financeiro, o impasse pode causar dano social à educação de Rorainópolis.

Posição do Incra

Na época, em nota enviada ao g1, o Incra admitiu que a inscrição dos moradores do local "deu-se de maneira equivocada" e já foi cancelada, pois a área estava destinada ao interesse público.

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