Bebê nasce em UPA após mãe ter internação negada três vezes em Palmas
Bebê nasce em UPA após mãe ser mandada para casa três vezes

Marcella Silva, de 22 anos, deu à luz na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região sul de Palmas, no Tocantins, após ter a internação negada três vezes no Hospital e Maternidade Dona Regina. O parto precisou ser improvisado, já que a UPA não conta com serviço de obstetrícia. A família questiona a postura dos profissionais da maternidade estadual.

Negativas consecutivas

Os problemas começaram no dia 20 de junho, quando Marcella procurou a maternidade com dores e sangramento. No hospital, foi informada de que os sintomas eram normais, pois o útero estava amolecendo. "Estava há dias sem conseguir andar por causa das dores fortes na pelve. Foram três dias de sufoco indo para a maternidade", relatou.

No segundo dia, ainda com dores e perda de líquido, a equipe médica disse que era apenas um corrimento. No terceiro dia, ela voltou depois de passar o dia acamada, sem conseguir andar. "Cheguei lá e falaram que ainda não era trabalho de parto, sendo que minha data provável do parto era para o dia 30 de junho. Sempre que eu ia, eles falavam que eu estava com 38 semanas, sendo que eu já estava prestes a fazer 40 semanas", explicou Marcella.

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Parto na UPA

Marcella mora em Guaraí e estava hospedada na casa da cunhada Karinny Alves, no Jardim Taquari, região sul de Palmas. Com as contrações se intensificando, decidiu procurar atendimento na UPA Sul. A jovem deu à luz ao bebê Victor Hugo no sábado (27), na sala de emergência da unidade.

"Quem fez o parto foram dois pediatras e enfermeiros. O médico [da UPA] falou: 'Meu Deus, não tinha me preparado para fazer um parto'. Eles improvisaram tudo, usaram biombos para garantir a privacidade, e graças ao suporte deles o bebê nasceu bem, apesar de estar com o cordão enrolado no pescoço", contou Karinny.

Política médica questionada

Segundo a cunhada, a equipe médica da maternidade informou que a internação só ocorreria quando a gestação completasse 41 semanas. "Pedimos, pelo amor de Deus, para internar, porque ela não conseguia mais andar, mas disseram que, pela política médica, ela deveria aguentar e esperar", afirmou.

Após o parto, o bebê e a mãe foram encaminhados ao Hospital Dona Regina para finalizar os procedimentos. Marcella relatou que, ao chegar, ouviu comentários sobre o parto ter ocorrido em uma UPA. "Ficaram questionando por que o parto não foi concluído lá, inclusive com a retirada da placenta, sendo que na UPA não tinha obstetra", desabafou.

Alta e posição da SES-TO

Marcella e o bebê ficaram em observação clínica e passaram por exames de rotina. Receberam alta na tarde de segunda-feira (29). A Secretaria Estadual de Saúde (SES-TO) informou que a paciente foi atendida nos três dias e que, nos dias 25 e 26 de junho, foi avaliada, mas não apresentava critérios clínicos para internação, recebendo orientações para retornar em caso de intercorrência.

A SES-TO ressaltou que o HMDR realiza atendimentos conforme as diretrizes do SUS, protocolos técnicos obstétricos e fluxos assistenciais vigentes, garantindo condutas baseadas na avaliação clínica e na segurança da mãe e do bebê.

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