Justiça marca audiência do caso Joba, coordenador do CRB assassinado
Audiência do caso Joba marcada para agosto

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) confirmou que a primeira audiência do processo que investiga o assassinato de Johanisson Carlos Lima Costa, conhecido como Joba, coordenador das categorias de base do CRB, será realizada no dia 19 de agosto, às 9h30. O crime ocorreu em 23 de janeiro deste ano, no bairro Santa Lúcia, em Maceió.

Detalhes da audiência e acusados

A audiência de instrução e julgamento será conduzida pelo juiz Yulli Roter na 7ª Vara Criminal de Maceió, no Fórum do Barro Duro. Nesta etapa, serão ouvidos os réus, testemunhas e demais envolvidos. Após a fase de instrução, o magistrado decidirá se os acusados serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Dois homens respondem pelo crime: Ruan Carlos Ferreira de Lima, apontado pela Polícia Civil como mandante, e Symeone Batista dos Santos, acusado de participar da execução. Ambos estão presos. O g1 tentou contato com as defesas dos réus, mas não obteve retorno até a última atualização.

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Motivação do crime

Segundo a delegada Tacyane Ribeiro, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o assassinato foi motivado por ciúmes. Ruan teria pago R$ 10 mil para que Joba fosse morto. A investigação aponta que Joba havia retomado o relacionamento com a ex-companheira, que anteriormente se envolveu com Ruan. O crime começou a ser arquitetado em dezembro do ano passado.

Joba foi assassinado ao sair do condomínio onde morava, em direção a um ponto de van. Uma câmera de segurança registrou o momento. A ex-noiva de Joba não é ré no processo; não há informação se sua participação foi descartada.

Armas e suspeitos mortos

O Instituto de Criminalística de Maceió (ICM) identificou a arma usada no crime. A perita criminal Renata Azevedo afirmou: “Após a produção de padrões dessas três armas, submeti e analisei essas amostras no microcomparador balístico confrontando com o projétil encontrado no corpo da vítima. O exame deu positivo para um dos revólveres calibre 38.”

Três suspeitos de envolvimento no assassinato morreram em troca de tiros com a polícia no bairro Clima Bom, em Maceió. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-AL) confirmou o fato. No processo do TJ-AL, os suspeitos foram identificados como José Cícero Aprígio da Silva, Raul Silva de Melo e Ana Tassia da Silva Santos. Com eles, a polícia apreendeu dois revólveres, uma pistola e dois capacetes. A delegada explicou que o trio foi encontrado após a apreensão da moto usada na fuga do executor. O responsável pela moto foi preso, enquanto os outros três resistiram à abordagem e atiraram contra os policiais.

Defesa nega pagamento

À época do crime, a defesa de Ruan Ferreira negou veementemente o pagamento de R$ 10 mil. O advogado Napoleão disse: “A polícia levantou a informação que haveria participação da Letícia, ex-companheira do Joba, e eu perguntei ao Ruan. Ele se manteve em silêncio e só disse que a conhecia. Não falou nada sobre relacionamento com ela.”

A delegada Tacyane Ribeiro informou que Ruan é historiador, sem antecedentes criminais, e confirmou apenas dados básicos. “Ele não tem nenhum antecedente criminal, estava bastante nervoso. Só respondeu a primeira parte do interrogatório, que é no tocante à pessoa, como nome, estado civil, quantos filhos tem. Mas na parte dos fatos ele preferiu ficar em silêncio. Não confirmou, nem negou”, explicou.

Reações do CRB e da Federação

O CRB emitiu nota de pesar, destacando que Joba estava há cinco anos no clube e exercia papel relevante no desenvolvimento das categorias de base, contribuindo para a formação esportiva e humana de jovens atletas. O clube suspendeu as atividades de futebol das categorias de base por tempo indeterminado e cancelou um encontro da torcida antes do Clássico das Multidões.

A Federação Alagoana de Futebol (FAF) também lamentou o assassinato e decretou luto oficial de três dias. Durante a 5ª rodada do Campeonato Alagoano 2026, será realizado um minuto de silêncio em homenagem à vítima.

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