Atropelamento em Franca pode ser homicídio qualificado, diz advogado
Atropelamento em Franca: motorista pode responder por homicídio

O motorista que atropelou e matou Alexsander Tercilio Mota Moreno, de 33 anos, em Franca (SP), pode responder por homicídio qualificado, crime com pena de 12 a 30 anos de reclusão. A avaliação é do advogado criminalista Márcio Cunha, ouvido pela EPTV, afiliada da TV Globo. Ele não está envolvido no caso e falou como especialista.

Análise do crime

Segundo Cunha, a definição do crime depende da investigação da Polícia Civil e da avaliação do Ministério Público e da Justiça. Alexsander morreu na madrugada de quinta-feira (9), na Santa Casa de Franca, conforme boletim de ocorrência. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para atendimento médico após ser atropelado na Vila Santa Cruz, na noite de quarta-feira (8).

De acordo com o advogado, as imagens das câmeras de segurança que registraram o atropelamento indicam que, a princípio, Alexsander não estava armado nem praticava nenhum ato contra o motorista. "As imagens demonstram que, de fato, a vítima, a princípio, não estava portando nenhuma arma, não estava praticando nenhum ato contra o motorista do veículo. Então, tudo indica que é um caso de homicídio qualificado", afirmou Cunha.

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Enquadramento legal

Na avaliação do criminalista, o enquadramento pode ocorrer porque a vítima não teve possibilidade de defesa. "Inclusive, porque não deu meios de defesa ou nenhuma possibilidade de defesa da própria vítima". O especialista também destacou que o fato de o motorista deixar o local depois do atropelamento pode ter reflexo na investigação. "Com certeza, enquadrará em várias infrações do Código de Trânsito Brasileiro, infrações gravíssimas, inclusive essa questão da fuga".

Socorro e óbito

De acordo com a polícia, o paciente deu entrada no hospital em protocolo de trauma, com colar cervical, prancha rígida e uma das pernas imobilizada. Exames apontaram pneumotórax, fratura de bacia e fratura de fêmur. Ainda segundo o registro policial, Alexsander teve piora progressiva do quadro clínico e sofreu parada cardiorrespiratória. A equipe médica fez manobras de reanimação por cerca de 30 minutos, mas ele não resistiu.

Relatos de moradores

No dia do atropelamento, uma moradora disse à EPTV que ouviu gritos de 'pega ladrão' minutos antes de ouvir o barulho da batida. O motorista deixou o local sem prestar socorro à vítima. A Polícia Civil tenta identificar quem dirigia o carro. Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso. Como o motorista não foi identificado, o g1 não conseguiu localizar a defesa dele. O boletim de ocorrência foi registrado a partir da comunicação do óbito pela Santa Casa.

Imagens de câmeras

Imagens de câmeras de segurança mostram dois homens correndo por uma rua da Vila Santa Cruz. Um carro preto aparece logo depois e atinge Alexsander, que é arrastado por vários metros. Mesmo ferido, ele consegue ir em direção à calçada. Em seguida, o motorista volta, para perto da vítima, fala algo e deixa o local. Na rua, ficaram marcas do atropelamento e restos da roupa da vítima. Na calçada, moradores encontraram a camiseta, um par de tênis e uma peça do carro.

Uma moradora, Maralina Felizardo, disse que tentou ajudar Alexsander até a chegada do socorro. "Eu fiquei conversando com ele para ele não dormir, porque ele tinha batido a cabeça e o corte da cabeça dele estava muito grande. Ele estava muito machucado, bastante machucado, as pernas quebradas. Onde pegava nele, ele gritava de dor", relatou.

Investigação em andamento

A Polícia Civil apura as circunstâncias do atropelamento e tenta identificar o carro e o motorista com a ajuda das imagens de câmeras de segurança. A investigação também deve apontar se Alexsander estava fugindo depois de um possível crime no bairro vizinho. Esse ponto ainda não foi confirmado pela polícia. Outro homem que aparece correndo nas imagens também não tinha sido identificado até a última atualização desta reportagem.

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