A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu em flagrante, na tarde desta quarta-feira (15), um homem de 28 anos suspeito de integrar um grupo de agiotas que atuava no bairro Tupi, Região Nordeste de Belo Horizonte. A prisão ocorreu durante a Operação Capital Coativo, que investiga crimes de extorsão relacionados à cobrança de empréstimos ilegais na Região Metropolitana de BH.
Como foi a prisão
Segundo a PCMG, o suspeito, identificado como Thiago Henrique de Sousa, foi localizado na Rua Furquim Werneck, onde investigadores realizavam campana após denúncias de comerciantes da região. Durante a abordagem, foram encontrados com ele panfletos de empréstimos com números de telefone e percentuais de juros considerados abusivos. A polícia informou que uma comerciante confirmou ter contraído um empréstimo com o investigado e relatou que ele estava no local para realizar a cobrança dos valores. Segundo o depoimento, as cobranças eram acompanhadas de ameaças.
Outras vítimas e provas
Ainda conforme a investigação, outra vítima teria recebido mensagens dos suspeitos dizendo que eles iriam até a loja cobrar a dívida e que poderiam retirar mercadorias do estabelecimento caso o pagamento não fosse feito. O homem foi conduzido à delegacia, onde a prisão em flagrante foi ratificada pelos crimes de perseguição, extorsão e usura pecuniária — prática de cobrança de juros acima dos limites permitidos por lei. Além dos panfletos, a PCMG apreendeu aparelhos celulares e uma motocicleta que, segundo a corporação, era utilizada pelo suspeito. O veículo foi encaminhado para um pátio credenciado. Após os procedimentos de polícia judiciária, o investigado foi levado ao sistema prisional. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo.
Contexto: atuação de agiotas na Grande BH
Mais de 300 pessoas da Grande BH denunciaram à Polícia Civil terem sido vítimas de quadrilhas de agiotas que cobravam juros diários de até 30% e utilizavam ameaças e violência para pressionar pelo pagamento das dívidas. Segundo as investigações, os grupos perseguiam devedores, faziam rondas em frente às casas e aos locais de trabalho das vítimas, pichavam muros, divulgavam fotos e dados pessoais nas redes sociais e chegavam a tomar bens à força. Em um dos casos, uma mulher apareceu em uma publicação com o cabelo raspado e uma arma apontada para a cabeça.
Operação anterior e perfil dos criminosos
Em maio, uma operação da Polícia Civil prendeu 14 suspeitos de integrar as quadrilhas e apreendeu mais de 60 veículos usados nas cobranças. De acordo com a investigação, os grupos eram formados por brasileiros, colombianos e venezuelanos e tinham como principais alvos pequenos comerciantes e mulheres que moravam sozinhas. Para a polícia, a estratégia dos criminosos era manter as vítimas presas ao ciclo da dívida, por meio de juros abusivos, intimidação e cobranças constantes.



