Acusada de envenenar ovo de Páscoa no MA vai a júri um ano após crime
Acusada de envenenar ovo de Páscoa no MA vai a júri

Jordélia Pereira Barbosa, acusada de envenenar um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças e deixou a mãe delas gravemente ferida, será julgada pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (22), em Imperatriz, no Maranhão. A ré responde por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio por envenenamento. O caso, que teve repercussão nacional e internacional, completa mais de um ano sem julgamento.

O acesso ao Fórum de Imperatriz, onde ocorrerá o julgamento, será controlado, conforme informou a 8ª Promotoria de Justiça. Familiares das vítimas, os irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13, aguardam a decisão da Justiça sobre a responsabilidade da acusada.

Defesa tentou reverter decisão de júri popular

Apesar da gravidade do crime, o julgamento de Jordélia foi adiado por mais de um ano. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aceitou a denúncia após a conclusão do inquérito e, em setembro de 2025, decidiu que ela deveria ir a júri popular. No entanto, a defesa recorreu da decisão, apresentando recurso em setembro de 2025. A Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão informou ao g1 que os autos foram encaminhados no dia 30 do mesmo mês, mas o processo ainda estava em análise. Entre os pedidos da defesa estavam a anulação da decisão, a retirada do caso do júri ou a mudança da classificação do crime. O processo tramita sob segredo de Justiça.

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O g1 também questionou o TJ-MA sobre a demora na análise do recurso, mas o tribunal não se manifestou.

Prisão rápida trouxe alívio, mas julgamento é esperado

Em entrevista ao g1, Mirian Lira, mãe das crianças e sobrevivente do envenenamento, afirmou que a investigação foi rápida, com a prisão de Jordélia ocorrendo poucos dias após o crime. "A investigação foi muito rápida, foi competente. Foi rápida a prisão, foi em questão de dias de fechar o inquérito, de ter as provas em mãos. Nessa questão, a justiça foi bem rápida, eficiente em tudo. Agora, a gente só está aguardando mesmo. Porque, de ter ela já presa, é um alívio, mas o sentimento de que a justiça seja feita é quando vier o julgamento, que vier a sentença realmente, que ela venha cumprir com o que a justiça mandar", declarou.

Perfil da acusada

Jordélia Pereira Barbosa, de 36 anos, é mãe de um casal de filhos, que teve com o ex-marido, que era companheiro de Mirian Lira. Com a prisão, ela perdeu provisoriamente a guarda dos filhos por decisão do juiz Alexandre Antônio José de Mesquita, da 3ª Vara de Santa Inês. Moradora do Centro de Santa Inês, no Vale do Pindaré, Jordélia era conhecida no ramo da beleza e mantinha um estúdio de estética em casa. Em redes sociais, afirmava ser esteticista, embaixadora de uma linha de cosméticos e instrutora em uma instituição de ensino profissionalizante. Com 12,5 mil seguidores, compartilhava seu trabalho e mensagens de superação. Frequentava uma igreja evangélica quando era casada; fiéis relataram que o casal tinha um relacionamento conturbado. Vizinhos a descreviam como "uma pessoa muito boa, simpática", enquanto uma colega de trabalho disse que já teve desentendimentos com ela, mas não imaginava que cometeria algo tão grave.

Crime motivado por ciúmes

As investigações da Polícia Civil do Maranhão concluíram que ciúme e vingança motivaram Jordélia a envenenar o ovo de Páscoa enviado a Mirian Lira. Mirian estava namorando há três meses o ex-marido de Jordélia. Em depoimento, Jordélia admitiu ter comprado o chocolate e enviado a Mirian, mas negou ter colocado veneno. No entanto, a Secretaria de Segurança do Maranhão afirmou que havia diversos indícios contra ela. Imagens de câmeras de segurança, comprovantes de compras, depoimentos e a apreensão de duas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus no momento da prisão reforçaram as suspeitas. O laudo pericial confirmou a presença de veneno no ovo, nos corpos das vítimas e no material apreendido com Jordélia. Com base nisso, a polícia a indiciou por duplo homicídio e tentativa de homicídio por envenenamento.

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Relembre o crime

A família recebeu o ovo de Páscoa na noite de 16 de abril de 2025, por meio de um motoboy, acompanhado de um bilhete: "Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa". Mirian e os dois filhos comeram o chocolate. Após receber o doce, Mirian recebeu uma ligação de uma mulher não identificada perguntando se ela havia recebido o ovo. Luiz Fernando, de 7 anos, foi o primeiro a passar mal e morreu após dar entrada no hospital. Mirian começou a apresentar sintomas no hospital, com as mãos roxas e dificuldade para respirar, sendo internada na UTI. Evelyn Fernanda, de 13 anos, também deu entrada com os mesmos sintomas e morreu em 22 de abril devido a choque vascular e falência de múltiplos órgãos.