A Justiça de Goiás recebeu denúncia do Ministério Público contra cinco guardas civis municipais de Santa Helena de Goiás, acusados de tortura, sequestro e ameaça contra um casal. O crime ocorreu em 11 de março de 2024, quando os agentes invadiram uma residência no Bairro Brasil sem mandado judicial, supostamente para buscar drogas.
Investigação e afastamento
A juíza Thalene Brandão Flauzino de Oliveira, que recebeu a denúncia em 9 de julho, determinou a suspensão do exercício da função pública dos denunciados e proibiu qualquer contato com as vítimas ou seus familiares. A Guarda Civil Municipal de Santa Helena de Goiás confirmou o afastamento dos servidores e instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos envolvidos.
Detalhes da denúncia
Segundo o MPGO, na madrugada de 11 de março, os guardas invadiram a casa de um casal de amigos após receberem uma denúncia de tráfico de drogas via WhatsApp. A mulher foi submetida a intenso sofrimento físico e psicológico, arrastada e agredida com coronhadas no rosto para revelar onde estavam as drogas. O homem foi algemado, teve o rosto coberto com um pano e sofreu sucessivos espancamentos e episódios de asfixia até perder a consciência. Ele foi reanimado com água para que as agressões continuassem.
Após o homem indicar a localização de algumas pedras semelhantes a crack, três guardas o levaram em uma viatura oficialmente fora de operação para uma área de mata. Lá, as agressões continuaram, e um dos denunciados efetuou um disparo próximo ao ouvido da vítima e tentou atirar novamente, mas a arma falhou. O homem conseguiu fugir pela vegetação. A mulher foi ameaçada para que não denunciasse o caso.
Impacto e reações
A advogada das vítimas, Rosemere de Oliveira Santos, afirmou que o homem perdeu a visão de um olho e precisou deixar a cidade por temer represálias. “Ele me falou que nem tá enxergando de um olho e teve até que sair da cidade por conta das pessoas indo atrás dele”, disse.
A defesa dos guardas — Camila Maria Soares, Dieilis Ronieli Serpa, Huan Felipe de Castro Batista, Johnathan Ramon Freitas Alves e Matheus Souza Rabelo — informou que o recebimento da denúncia apenas marca o início da ação penal e não representa condenação, e que irá contestar as acusações ao longo do processo.
A Associação das Guardas Civis do Estado de Goiás (AGCGO) manifestou “absoluta confiança na idoneidade, na conduta funcional e no histórico profissional dos Guardas Civis envolvidos, profissionais que dedicam suas vidas à proteção da população, ao combate à criminalidade e à preservação da ordem pública”.
O Ministério Público pediu a condenação dos guardas, a perda dos cargos públicos, a interdição para o exercício de funções públicas e o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil às vítimas.



