EUA autorizam mais três empresas chinesas a importar chips avançados de IA
EUA autorizam mais três chinesas a importar chips de IA

O governo dos Estados Unidos autorizou mais três empresas chinesas a importar chips avançados de inteligência artificial (IA) fabricados pela Nvidia e pela AMD, ampliando as exceções às restrições comerciais impostas desde outubro de 2022. As licenças foram concedidas pelo Departamento de Comércio dos EUA e permitem que essas companhias adquiram processadores de alto desempenho, como o H100 da Nvidia e o MI250 da AMD, para uso em data centers e pesquisas científicas.

Detalhes das autorizações

As três empresas beneficiadas são a Inspur Electronic Information Industry, a Lenovo Group e a Huawei Technologies, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A Inspur, maior fabricante de servidores da China, recebeu licença para importar chips Nvidia H100 para uso em seus data centers. A Lenovo, gigante de tecnologia, obteve autorização para adquirir tanto chips Nvidia quanto AMD para desenvolvimento de sistemas de IA. Já a Huawei, que já estava na lista de entidades restritas dos EUA, conseguiu uma licença limitada para chips AMD MI250 destinados a pesquisa acadêmica.

As licenças têm validade de um ano e estão sujeitas a auditorias regulares para garantir que os chips não sejam desviados para fins militares. O Departamento de Comércio dos EUA afirmou que as autorizações são consistentes com a política de segurança nacional, mas não forneceu detalhes adicionais.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto das restrições

Em outubro de 2022, os EUA impuseram controles de exportação abrangentes para impedir que a China obtivesse chips avançados de IA e semicondutores usados em supercomputadores e armas. As restrições visam empresas como a Huawei e a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), mas permitem exceções caso a caso. Até agora, o governo Biden autorizou cerca de 20 empresas chinesas a importar chips avançados, incluindo a Alibaba Group e a Baidu.

As novas licenças ocorrem em meio a tensões crescentes entre EUA e China no setor de tecnologia. Em junho, os EUA anunciaram planos de endurecer ainda mais as regras, incluindo a proibição de exportação de chips de IA para a China sem licença. No entanto, a administração Biden também enfrenta pressão de empresas americanas como Nvidia e AMD, que dependem do mercado chinês para uma parcela significativa de suas receitas.

Impacto para as empresas

A Nvidia, que teve suas vendas para a China impactadas pelas restrições, vê as autorizações como uma oportunidade de manter o fluxo de receita. A empresa informou que as licenças para a China representam cerca de 10% de sua receita total no último trimestre. A AMD também se beneficia, embora em menor escala, já que seus chips MI250 são menos populares que os da Nvidia no mercado chinês.

Para as empresas chinesas, as autorizações são cruciais para manter a competitividade em IA. A Inspur, por exemplo, depende dos chips Nvidia para seus servidores de IA, que são vendidos para clientes governamentais e corporativos. A Lenovo, que tem uma forte presença global, precisa dos chips para seus produtos de data center. Já a Huawei, embora limitada, poderá avançar em pesquisas de IA para aplicações civis.

Reações e perspectivas

Especialistas em comércio internacional veem as autorizações como um sinal de que os EUA estão dispostos a flexibilizar as restrições quando isso não ameaça a segurança nacional. No entanto, críticos argumentam que as exceções podem ser exploradas pela China para avançar em tecnologia militar. O governo chinês, por sua vez, classificou as restrições como unilaterais e violadoras das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Analistas do setor preveem que mais empresas chinesas solicitarão licenças nos próximos meses, enquanto os EUA avaliam caso a caso. A decisão final sobre novas autorizações pode depender do resultado das eleições presidenciais de 2024 e da postura do próximo governo em relação à China.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar