As rajadas de vento que ultrapassaram 100 km/h na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, na quarta-feira (29), deixaram um rastro de destruição. Em Santos, um homem em situação de rua morreu após ser atingido por uma árvore. A ventania provocou quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia em várias cidades da região.
Morte e estragos em Santos
Segundo boletim da Defesa Civil, a velocidade máxima das rajadas de vento em Santos chegou a 111,8 km/h, às 12h40. O pico da maré foi de 1,64 metro, registrado às 13h40. Um homem não identificado, que estava sentado na mureta do Canal 5, foi atingido por uma árvore e caiu no canal, morrendo no local. A perícia foi realizada e o corpo removido pelo Instituto Médico-Legal (IML). Uma testemunha prestou depoimento no Distrito Policial.
A cidade registrou cerca de 30 quedas de árvores, com ocorrências nos bairros Embaré, Campo Grande, Vila Mathias, Ponta da Praia, São Jorge, Boqueirão, Castelo, Santa Maria, São Manoel, Morros e Vila Belmiro. Quase metade das árvores caídas já foi removida, e as demais serão recolhidas até sexta-feira (31). Todas as vias obstruídas foram liberadas. Também houve queda de muros, de um sobrado de madeira e de contêineres. O muro da empresa Dínamo, na Rua Aguiar de Andrade, caiu sobre dois caminhões, sem feridos.
Na rede municipal de ensino, algumas escolas tiveram danos em telhados, toldos e árvores internas, sem feridos ou necessidade de dispensar alunos. As policlínicas do Gonzaga e Aparecida sofreram destelhamentos. O ginásio do Centro Esportivo e Recreativo M. Nascimento, na Santa Maria, perdeu telhas. Na Casa da Frontaria Azulejada, houve desprendimento de rufos e tijolos. A Prefeitura de Santos mobilizou uma força-tarefa com mais de 200 profissionais da Defesa Civil, CET-Santos, Guarda Civil Municipal e Secretaria das Prefeituras Regionais para atender as ocorrências.
Ventos fortes atingem outras cidades
Em Cubatão, cerca de 20 árvores caíram, principalmente no bairro Vila São José, deixando galhos espalhados pelas vias. A Unidade Municipal de Educação (UME) Tocantins, no Jardim Casqueiro, teve destelhamento parcial e queda de energia. Das 17 escolas que suspenderam as aulas na quarta-feira, 12 já retomaram as atividades. Em Peruíbe, pelo menos 30 equipamentos públicos foram afetados, sendo 15 escolas. As aulas ocorrem normalmente nesta quinta-feira (30), exceto na escola municipal Barão de Mauá.
Itanhaém registrou quedas de árvores em bairros como Nova Itanhaém, Guapurá e Gaivota, e a concessionária de energia foi acionada. São Vicente contabilizou nove árvores e um semáforo caídos, com equipes atuando na normalização. Em Bertioga, caíram três árvores e um poste metálico. Guarujá teve 11 ocorrências de árvores caídas. Praia Grande não registrou quedas de árvores.
Confira a quantidade de quedas de árvores por cidade: Santos: cerca de 30; Cubatão: cerca de 20; Peruíbe: 17; Guarujá: 11; São Vicente: 9; Bertioga: 3.
Gabinete de Crise e alerta da Defesa Civil
O governo de São Paulo deslocou o Gabinete de Crise para o litoral após a ventania. Equipes da Defesa Civil do Estado estão em Peruíbe para acompanhar a resposta aos estragos. O tenente da Defesa Civil Estadual, Maxwel de Souza, informou: "Durante a quinta-feira (30), a gente ainda segue em alerta porque podemos ter ainda algumas consequências com chuva e ventos em algumas áreas. Por isso a população deve estar alerta e, principalmente, se afastar de árvores, postes e não praticar atividades náuticas durante todo o dia".
Fornecimento de energia
A ventania causou interrupção de energia em diversas cidades. A Neoenergia Elektro informou que reforçou as equipes em campo e que 99% dos 449,3 mil clientes da região já têm fornecimento normalizado. As equipes continuam atendendo ocorrências complexas envolvendo árvores e galhos na rede elétrica. A empresa reforçou que a população mantenha distância da rede elétrica e acione a distribuidora em caso de falta de energia. Na quarta-feira, a CPFL Piratininga informou que os ventos fortes provocaram danos em pontos específicos da rede em Santos, com apenas 5% dos clientes impactados ainda em processo de restabelecimento. Procurada, a concessionária não se manifestou até a publicação desta reportagem.



