O governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, anunciou nesta quinta-feira a retomada temporária, por 90 dias, da operação de linhas férreas que haviam sido concedidas à empresa Trivia Trens. A medida ocorre após uma série de falhas e atrasos que geraram caos no transporte sobre trilhos da capital paulista.
Contexto da crise
A Trivia Trens, que assumiu a concessão de duas linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 2024, enfrenta dificuldades financeiras e operacionais. Nos últimos meses, os usuários relataram trens quebrados, superlotação e atrasos frequentes, culminando em protestos e reclamações nas redes sociais. A situação se agravou com a paralisação de parte da frota por falta de manutenção.
Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, a decisão foi tomada para garantir a continuidade do serviço enquanto se busca uma solução definitiva. "O governo não pode permitir que a população seja prejudicada. Vamos assumir temporariamente a operação para restabelecer a normalidade", afirmou o secretário Marco Antonio Assumpção.
Detalhes da intervenção
A retomada abrange as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que atendem cerca de 800 mil passageiros por dia. Durante os 90 dias, a CPTM será responsável pela operação, manutenção e bilhetagem. O governo estima um custo adicional de R$ 50 milhões para cobrir as despesas emergenciais.
"A Trivia Trens não cumpriu com as obrigações contratuais. Estamos tomando as medidas cabíveis para proteger o interesse público", disse Assumpção. A empresa, por sua vez, emitiu nota afirmando que "enfrenta desafios de fluxo de caixa" e que "está em negociação com o governo para reequilibrar o contrato".
Impacto para os usuários
Com a intervenção, a expectativa é de que os intervalos entre trens sejam reduzidos e a frota operacional aumente em 30% nas primeiras semanas. A CPTM já iniciou a realocação de funcionários e a revisão dos trens. Passageiros ouvidos pela reportagem demonstraram alívio, mas cobram soluções de longo prazo. "Espero que dessa vez funcione. Já perdi muito tempo e emprego por causa dos atrasos", disse a auxiliar administrativa Maria Silva, de 34 anos.
Próximos passos
O governo estuda a possibilidade de relicitar as linhas ou criar uma empresa estatal para assumir definitivamente o serviço. Uma auditoria na Trivia Trens será realizada para apurar possíveis irregularidades. O prazo de 90 dias pode ser prorrogado se necessário.



