O professor de Biologia Luis Frederico Petla, conhecido como Fred, do colégio particular em Ponta Grossa (PR), está há mais de três meses fora da sala de aula. Ele decidiu realizar o sonho de atravessar a América de moto, de ponta a ponta, saindo do Paraná até o Alasca. A ideia surgiu após uma viagem anterior com a esposa até Ushuaia, na Argentina, o ponto mais ao sul do continente.
Acordo inusitado com o chefe
Para conseguir o tempo necessário, Fred fez uma proposta inusitada ao seu chefe: pediu uma licença não remunerada de seis meses, equivalente a uma licença-maternidade, mesmo sem ter filhos. Em troca, abriria mão do salário durante o período, mas garantiria o emprego ao retornar. "Eu falei: 'Chefe, se eu fosse mulher e estivesse grávida, você ia ter que me dar a licença-maternidade... E estou ainda pedindo sem remuneração! Então se você não aceitar, eu vou tentar engravidar'", brincou Fred. O chefe aceitou o acordo.
Viagem de 25 mil km até o Alasca
No dia 28 de fevereiro, Fred partiu sozinho de moto. Após 103 dias e 25 mil quilômetros, cruzou a fronteira entre Canadá e Alasca em 10 de junho. Enfrentou estradas congeladas e sensação térmica de -20°C. O objetivo principal foi cumprido: chegar a Prudhoe Bay, no Alasca. Agora, ele pretende percorrer a Rota 66, de Santa Mônica (Califórnia) a Chicago (Illinois), antes de retornar ao trabalho em 1º de agosto. A viagem total deve somar 40 mil km.
Preparação de três anos
Fred se preparou financeiramente por três anos, comprando e revendendo motos para poupar dinheiro. "Você gasta o valor de uma casa para fazer uma viagem dessas. Gasta umas 40 vezes mais que de avião", explicou. Ele levou apenas 2 kg de pertences pessoais, mas 15 kg de peças de reposição para a moto. A única travessia não feita sobre rodas foi da Colômbia ao Panamá, onde gastou US$ 1,5 mil para transportar a moto de avião.
Vida na estrada
Fred dorme em acampamentos ou em casas de motociclistas que conhece pelo caminho. Cozinha com um fogareiro e, quando hospedado, prepara pratos brasileiros para os anfitriões. "A paisagem natural é o que eu mais gosto, sem sombra de dúvidas, e depois disso é conhecer as pessoas", disse. Ele já viajou de moto para Uruguai, Amazônia, Nordeste, Bolívia e Machu Picchu.
O que diz a lei
O advogado trabalhista Renato Roskosz Filho explica que a licença não remunerada é uma suspensão temporária do contrato de trabalho, mediante acordo entre empresa e trabalhador. Não há tempo mínimo de contrato exigido, nem prazo máximo definido. Durante o afastamento, salários e benefícios são pausados, e o período não conta para férias ou 13º salário. O empregado tem direito de reassumir o cargo, mas não há garantia contra demissão após o retorno, a menos que previsto em convenção coletiva.



