Polícia devolve à natureza 5 milhões de sementes colhidas por presos
Uma ação conjunta entre a Polícia Ambiental e detentos ajudou a devolver cerca de cinco milhões de sementes à natureza na região de Presidente Prudente (SP), no interior paulista. O capitão da Polícia Ambiental no Oeste Paulista, Julio Cesar Cacciari, explicou ao g1 como funciona a iniciativa de produção das chamadas 'bombas de sementes', utilizadas para recuperar áreas degradadas e estimular a regeneração da vegetação nativa.
'Elas são produzidas para favorecer a germinação e permitir o lançamento em áreas de difícil acesso. Essas bombas se transformam em uma importante ferramenta para a recuperação ambiental', descreve o capitão. As sementes são devolvidas à natureza durante o patrulhamento náutico realizado pela Polícia Ambiental. Nesse trabalho, as equipes lançam bombas de sementes em margens de rios, áreas degradadas e locais considerados estratégicos para a recuperação da vegetação nativa. 'Isso contribui para a proteção da fauna, a conservação dos recursos hídricos e o fortalecimento dos ecossistemas. A iniciativa demonstra que a proteção ambiental pode caminhar ao lado da transformação social', afirma o capitão Cacciari.
Reflorestamento e parceria
A parceria entre a Polícia Ambiental e a Polícia Penal começou em 2025. Atualmente, 10 detentos em regime semiaberto participam da produção das sementes. Eles estão na Penitenciária de Osvaldo Cruz, Penitenciária I de Presidente Venceslau, Penitenciária de Caiuá e Penitenciária de Marabá Paulista. Idealizado pelo próprio Julio Cesar Cacciari, o projeto reforça como uma simples semente pode gerar muito mais que uma árvore. 'Pode gerar consciência ambiental, recuperação de ecossistemas e oportunidades de recomeço', continua o policial ambiental. 'Onde muitos enxergam apenas sementes, nós enxergamos futuras florestas', observa o capitão.
Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), os detentos trabalham em todas as etapas do processo: coleta de sementes, preparo da terra e produção das mudas em viveiros instalados nas dependências dos presídios. As árvores utilizadas para a coleta das sementes estão localizadas em áreas próximas aos estabelecimentos penais participantes, facilitando a execução das atividades e o acompanhamento pelos servidores responsáveis.
Impactos sociais e espécies
Dentre as principais espécies de sementes coletadas estão: amendoim-bravo, canafístula, flamboyant, ipê-branco, ipê-roxo, jacarandá-mimoso, moringa oleifera, acácia-amarela, cedro, tento-carolina, tamboril e urucum. 'O projeto Semeando Cidadania tem como objetivo principal promover o reflorestamento e a educação ambiental, ao mesmo tempo em que oferece capacitação técnica e estimula valores como responsabilidade, cidadania e pertencimento', aponta a secretaria.
Segundo a pasta, a atividade produtiva contribui para a redução da reincidência criminal e fortalece os vínculos entre as pessoas privadas de liberdade e a sociedade. Além dos benefícios ambientais, como o aumento da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas, o projeto também promove impactos sociais significativos, como a diminuição do preconceito em relação às pessoas privadas de liberdade.
Como fazer bombas de sementes em casa
Tecnologia criada pelo microbiólogo japonês Masanobu Fukuoka na década de 1970, as bombas de semente consistem em bolinhas feitas com argila e as sementes, ajudando no reflorestamento. Para fazer em casa, é necessário: 1 kg de argila (em pó ou úmida); 200 g de substrato (composto orgânico); 200 g de sementes.
Preparo: Com argila em pó: misture todos os ingredientes e adicione água até ficar com uma textura semelhante à argila úmida. Com argila úmida: faça bolas que caibam na palma da mão, abra cada uma, adicione substrato e sementes, e feche. Nos dois casos: deixe as bombas ao sol até ficarem secas e com rachaduras.



