Em 15 dias, três amigos de Borda da Mata (MG) percorreram mais de 17 mil quilômetros para acompanhar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. O grupo formado pelo advogado Antonio Narcy de Paiva Mello, de 36 anos, e os empresários Luiz Guilherme Cobra Brandão, de 42, e Pedro Brandão, de 39, assistiu aos dois primeiros jogos do Brasil, em Nova York e Filadélfia, e ainda passou por Atlanta.
Planejamento ousado
A viagem começou a ser planejada em agosto do ano passado, meses antes do torneio, mesmo sem saber onde o Brasil jogaria. “Compramos as passagens de São Paulo para Atlanta sem saber onde o Brasil iria jogar. Foi meio na sorte mesmo. A gente pensou que Atlanta, por ela estar perto de outras cidades que teriam jogos, facilitaria os deslocamentos depois”, conta Antonio.
Antonio recebeu apoio da família para realizar o sonho. “Sou casado, tenho um filho de 2 anos, então teve toda uma conversa em casa. Mas sempre souberam que esse era um sonho meu. Quando comprei a passagem, falei: ‘agora não tem mais volta’.” O sorteio de dezembro trouxe alívio: “Por sorte, o Brasil não caiu em jogos no México ou no Canadá, e acabou jogando em Nova York e Filadélfia, que ficam relativamente perto de Atlanta. Isso facilitou muito a logística.”
Roteiro e dificuldades
O trio passou dois dias em Atlanta, seguiu para Nova York (onde viu o primeiro jogo do Brasil), e depois viajou de trem até a Filadélfia para a segunda partida e outros jogos do torneio. Em cada parada, levavam o nome da cidade natal: “A gente leva o nome de Borda da Mata para todo lugar. Onde a gente vai, fala que é do Sul de Minas. A gente carrega bandeira, tira foto, mostra a nossa cidade”, diz Antonio.
Se a logística de hotéis e passagens foi tranquila, os ingressos exigiram planejamento. “O mais difícil mesmo foram os ingressos. A procura é muito grande e os preços são altos”, explica. Parte das entradas foi comprada no site da Fifa ainda na fase inicial de vendas. “Até hoje a gente vê muitos brasileiros tentando comprar ingresso, correndo atrás, negociando o tempo todo. Quem não conseguiu antes está tendo bastante dificuldade.”
Festa brasileira nos EUA
O clima criado pelos torcedores impressionou o grupo. “Nova York estava tomada de brasileiros. A Times Square parecia a Avenida Paulista. Você andava na rua e só ouvia português, no metrô, nos restaurantes, nas lojas. Chegamos de trem em Filadélfia e na estação só havia pessoas com a camisa do Brasil. É uma festa muito bonita”, relembra Antonio.
Para Luiz Guilherme, a energia da torcida brasileira é diferencial: “A energia da torcida brasileira é diferente. Onde o Brasil está, parece que estamos jogando em casa.” Pedro destaca a união entre torcedores: “O mais legal da Copa é essa união. Você vai a uma Fan Fest ou a um jogo e encontra gente do mundo inteiro. Isso torna tudo ainda mais especial.” Antonio, com sua peruca verde e amarela, virou atração: “Ela faz sucesso. Todo mundo pede para tirar foto, vem conversar. Acho que isso faz parte do clima da Copa.”
Sonho realizado
O momento mais marcante para os três foi o hino nacional. “O momento mais marcante é o hino nacional arrepiando o estádio inteiro. Quando começa a tocar e todo mundo canta junto, é aí que a gente sente de verdade que está numa Copa do Mundo”, conta Antonio. “Quando a gente entra no estádio, passa a catraca, vê aquele ambiente e as seleções entrando em campo… ali já bate diferente. Mas o hino é o momento mais especial, pois é quando você entende tudo aquilo que está vivendo.”
Luiz Guilherme emociona-se: “Entre milhões de apaixonados pelo futebol, tenho o privilégio de viver um sonho de infância no maior palco do esporte mundial. É uma emoção que palavras dificilmente conseguem traduzir.” Pedro finaliza: “Para quem ama futebol, viver a Copa dentro do estádio é outra história. É uma energia que eu vou carregar para o resto da vida.”



