A Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo terá suas primeiras seis estações inauguradas nesta quinta-feira, 2 de janeiro de 2025. O trajeto inicial conecta as paradas João Paulo I, na zona norte, e Perdizes, na zona oeste. O projeto é a primeira parceria público-privada (PPP) para construção e operação de metrô na capital paulista.
Trens fabricados em SP com novo layout
A linha contará com 22 trens da Alstom, fabricados em Taubaté, interior de São Paulo. Diferente dos trens convencionais das linhas 1-Azul e 3-Vermelha, que transportam até 1,6 mil pessoas, os vagões da 6-Laranja comportam até 2.044 passageiros por veículo. A capacidade extra deve-se aos vagões interconectados, permitindo circulação entre eles, similar às linhas 4-Amarela e 5-Lilás.
O design interno prioriza espaço para passageiros em pé: os assentos ficam apenas nas paredes laterais, sem bancos voltados para frente ou para trás, ampliando a área livre do corredor. Segundo a concessionária, o modelo é o mesmo do metrô de Londres (Tube) e visa facilitar embarque e desembarque em horários de pico, evitando aglomerações perto das portas.
Portas que abrem para fora
Outra novidade são as portas: nos vagões convencionais, elas se recolhem para dentro da estrutura ao abrir; na linha laranja, as portas abrem para fora, encostando na parede externa do trem. A concessionária afirma que a mudança é por motivos de segurança. Todas as estações já serão inauguradas com portas automáticas nas plataformas para evitar quedas nos trilhos.
Metrô mais profundo da América Latina
A escavação da Linha 6-Laranja exigiu grande profundidade. Segundo o governo, trata-se do metrô mais profundo da América Latina. Sete estações estão a pelo menos 45 metros de profundidade. A Estação Santa Cruz da Linha 5-Lilás, que era a recordista com 41,3 metros, foi superada pela Estação Água Branca, com 47,8 metros. A Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado, prevista para outubro na zona norte, atingirá 65,7 metros de profundidade, equivalente a um prédio de mais de 20 andares.
O CEO da Acciona Brasil, André De Angelo, destaca o desnível de aproximadamente 105 metros entre o ponto mais alto (Pátio Morro Grande, na zona norte) e o mais baixo (Estação Água Branca, na zona oeste). Jelson Siqueira, superintendente metroferroviário da Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), explica que as linhas de metrô estão cada vez mais fundas por precisarem ser construídas uma abaixo da outra, exigindo uma camada de solo entre elas para segurança.
Passagem sob o Rio Tietê
A linha teve de ser profunda para passar sob o Rio Tietê, a Linha 4-Amarela e centenas de prédios. No caso do Tietê, a estrutura está a quase 12 metros da calha do rio. Essa dificuldade fez com que a Linha 1-Azul, construída na década de 1960, passasse sobre o rio em um elevado. Siqueira ressalta que a inclinação máxima de uma rampa de metrô é de 4%, exigindo escavação gradual.
Apesar da profundidade, parte das estações terá teto de vidro, permitindo iluminação natural das plataformas durante o dia e reduzindo o consumo de energia.
Achados arqueológicos
Em 2022, durante as escavações da Estação 14-Bis, na Bela Vista, foi descoberto um sítio arqueológico do Quilombo Saracura. O local fica ao lado da Praça 14-Bis, onde era a sede da escola de samba Vai-Vai. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou que “indícios apontam para a existência da estrutura de um possível terreiro e de outros objetos ligados à religiosidade afro-brasileira”. Estruturas de drenagem do córrego Saracura também foram encontradas.
Mais de 100 mil artefatos ligados ao quilombo foram achados. O Iphan propôs que a concessionária exiba alguns objetos dentro da própria estação, que foi rebatizada para 14 Bis-Saracura.
Linha das universidades
Anunciada em 2008, a linha foi apelidada de “linha das universidades”. O trajeto completo, com 15 estações, conecta faculdades como PUC, Faap, Mackenzie, Unip, FMU, Uninove e Centro Universitário São Camilo. Parte das paradas foi batizada com o nome das instituições de ensino.
Sem piloto (inicialmente com condutor)
A linha será operada remotamente a partir do Centro de Operações, como nas linhas 4-Amarela e 5-Lilás. Em caso de emergência, há um posto de controle manual dentro do trem, que fica fechado para uso como apoio. No início, porém, o transporte funcionará manualmente com um condutor. A condução à distância começa após o início da operação plena, prevista para 2026.
Primeira PPP de metrô
A Linha 6-Laranja é a primeira PPP integral de metrô em São Paulo: a concessionária é responsável pela obra e pela operação. Anteriormente, as linhas eram construídas pelo Metrô ou CPTM e depois privatizadas. O modelo visa acelerar as obras, já que a empresa tem interesse em gerar receita com a operação. O Trem Intercidades São Paulo-Campinas, contratado em 2024, segue o mesmo modelo. O governo planeja adotar a mesma estratégia para as futuras linhas 14-Ônix, 16-Violeta, 20-Rosa e 22-Marrom.



