Um adolescente de 16 anos, Colt Gray, foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo massacre que cometeu em setembro de 2024 na Apalachee High School, no condado de Barrow, Geórgia. Na época do crime, Gray tinha apenas 14 anos, mas foi julgado como adulto. A sentença foi proferida pelo juiz Nicholas Primm, do Tribunal Superior do Condado de Barrow, após uma audiência que ouviu familiares das vítimas, sobreviventes, investigadores e a avó do réu.
Declaração de culpa e 55 acusações
Na sexta-feira, 24 de janeiro de 2025, Gray se declarou culpado por 55 acusações, incluindo quatro homicídios. A promotoria, liderada pelo promotor Brad Smith, pediu a pena máxima. Smith afirmou que Gray "não pode estar na sociedade" e que "não vimos nenhuma evidência de que ele tenha capacidade de desenvolver uma consciência ou de valorizar plenamente a vida humana". A defesa, por sua vez, argumentou que o adolescente ainda poderia mudar. O advogado Charlton Allen disse que Gray "não está irreversivelmente destruído" e que a possibilidade de liberdade condicional poderia representar uma "oportunidade de esperança".
As vítimas do ataque
O ataque, ocorrido em 4 de setembro de 2024, vitimou os professores Richard Aspinwall, de 39 anos, e Cristina Irimie, de 53 anos, além dos estudantes Mason Schermerhorn e Christian Angulo, ambos de 14 anos. Nove pessoas ficaram feridas, entre elas um professor e oito alunos. Sete dos estudantes sofreram ferimentos a bala. Durante a audiência de sentença, familiares das vítimas expressaram sua dor e, em sua maioria, pediram que Gray recebesse a pena máxima. Shayna Aspinwall, esposa do professor Richard Aspinwall, declarou que os sobreviventes terão de lidar com "uma sentença de vida de luto e trauma".
Admiração por outros atiradores e planejamento
Investigações realizadas após o massacre revelaram que Gray demonstrava admiração por outros autores de ataques em massa e participava de comunidades online onde discutia esses crimes. Segundo os promotores, ele falava sobre a possibilidade de ganhar notoriedade com um ataque em uma escola e acompanhava comentários sobre o próprio caso depois do massacre. Gravações de ligações entre Gray e sua mãe, Marcee Gray, feitas enquanto ele estava detido, mostraram que ele pedia que ela verificasse o que as pessoas comentavam sobre ele na internet. Quando ela relatava desenhos e mensagens de apoio, ele perguntava sobre o alcance das publicações. O promotor Brad Smith afirmou que Gray planejou o ataque para construir uma imagem dentro de uma comunidade online dedicada a crimes reais: "O tiroteio não era o fim do plano. O tiroteio era apenas uma etapa do plano".
Infância difícil e pedidos de ajuda
A defesa argumentou que Gray teve uma infância marcada por instabilidade e que encontrou apoio em comunidades virtuais porque não recebia a ajuda necessária em casa. A avó materna do adolescente, Debbie Polhamus, disse que ele passou a apresentar comportamento agressivo antes do ataque e que tentou convencer os pais a buscar ajuda. "Eu tentei ajudar Colt porque ninguém mais estava ajudando", afirmou. Ela visita o neto semanalmente no centro de detenção e relatou melhora com tratamento e medicamentos. Segundo ela, Gray passou a ler mais e pretende estudar para obter um diploma equivalente ao ensino médio.
Melhora durante a detenção
O jovem foi colocado em um programa de acolhimento enquanto aguardava o julgamento, porque seu pai estava preso e havia restrições ao contato com a mãe. Candice Broce, diretora da Divisão de Serviços para Crianças e Famílias da Geórgia, afirmou que o adolescente apresentou melhora durante o período de detenção. Após o início do tratamento e a restrição de contato com a mãe, funcionários disseram que a mudança "essencialmente o transformou em uma criança diferente".



