Ex-dependente química encontra no esporte a força para recomeçar
Ex-dependente química encontra recomeço no esporte

Uma história de superação tem emocionado a comunidade Santa Rosa, em Sorocaba (SP). Amália Aparecida da Silva, ex-dependente química, perdeu a mão direita após graves crises de abstinência e, hoje, encontrou no esporte a força necessária para transformar sua vida.

O fundo do poço

Amália relata que o momento mais crítico ocorreu quando a fissura pelas drogas a levou a ferir o próprio corpo. Como era destra, começou a morder a própria mão por não conseguir usar a substância, o que resultou em uma infecção grave e na amputação do membro. Inicialmente, a limitação física trouxe vergonha e isolamento. "Eu não queria mostrar minha mão para ninguém. Andava sempre com tudo fechado, não deixava ninguém ver a minha deficiência. Achava que todo mundo estava olhando para mim", conta.

A virada na reabilitação

A situação extrema foi o alerta definitivo para buscar ajuda. Amália decidiu se internar no Grupo de Apoio e Solidariedade ao Adicto (Grasa), onde passou um ano em tratamento. Lá, aprendeu a controlar o vício por meio dos "12 passos" e resgatou os conselhos da mãe, que sempre acreditou em seu potencial. "Naquela vida, você só tem amigo quando chega com a droga. Fiquei anos nisso. Hoje, lembro de tudo o que a minha mãe me falou no passado e penso: 'Meu Deus, era tão fácil, por que não fiz?'. Se eu a tivesse escutado, quem sabe estaria bem melhor", reflete.

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O esporte como terapia

A limitação física, que antes a fazia se esconder, tornou-se um degrau para uma nova oportunidade. Ao conhecer projetos esportivos, Amália encontrou uma válvula de escape no futebol e no vôlei. Ela admite que ainda sente um bloqueio no lado amputado por conta da falta de sensibilidade, mas garante que isso não a impede de ir para a disputa. "O esporte é a melhor coisa que tem, você destrava. Tem vários tipos, como o atletismo, mas o que eu gosto mesmo é o futebol. Agora, o meu sonho é ser a melhor", afirma.

Reconstruindo laços familiares

Além das metas nas quadras e campos, o maior objetivo de Amália hoje é reconstruir os laços familiares. Ela planeja morar perto da mãe para ajudar a cuidar dos filhos, deixando para trás a vida nas ruas. "Eu consegui porque tive muita força de vontade e quis vencer", celebra.

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