Wagner Moura no Bial: sotaque em Hollywood e filhos atores
Wagner Moura no Bial: sotaque e filhos na atuação

No programa Conversa com Bial, o ator Wagner Moura, que acaba de completar 50 anos, revisitou os principais momentos de sua carreira e abriu o jogo sobre escolhas que marcaram sua vida profissional. Em uma conversa leve e repleta de histórias, ele explicou a decisão de manter o sotaque brasileiro ao interpretar personagens em inglês. E, pela primeira vez, falou com detalhes sobre os primeiros passos dos filhos na atuação.

Por que o sotaque virou marca

Desde 2015, quando Pablo Escobar entrou para a cultura pop por meio de Narcos, Wagner Moura passou a ser cobrado por falar inglês com um sotaque. Durante a entrevista, ele afirmou que essa é uma escolha deliberada, e não uma limitação. O ator contou que chegou a fazer aulas de pronúncia, mas percebeu que o esforço para soar americano resultava em uma atuação artificial.

Wagner disse que o sotaque carrega sua história, sua origem baiana e o jeito de ser brasileiro. Ele entende que apagar isso seria trair o próprio ofício. Para ele, o trabalho de verdade acontece quando o ator se conecta com a emoção do personagem, e não com a pronúncia.

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Essa postura, que a princípio gerou debates, hoje é vista como um posicionamento artístico e político. Wagner lembrou que, na época do lançamento de Narcos, houve quem pedisse para ele disfarçar o sotaque. A resposta dele foi seguir em frente. O sucesso da produção acabou por calar as críticas. Na avaliação do ator, a mudança no mercado é visível: cada vez mais atores latino-americanos são escalados para papéis sem a exigência de soar nativo.

Resposta dos estúdios e da crítica

No Conversa com Bial, Wagner revelou que, nos Estados Unidos, é comum que estudos recomendem um treinamento de sotaque antes das gravações. Ele confirmou que já recebeu esse tipo de recomendação diversas vezes. Mas contou que sempre mantém o diálogo aberto com os diretores. Após os primeiros dias de filmagem, os próprios cineastas reconhecem que o sotaque não atrapalha, e ainda acrescenta camadas ao personagem.

A crítica especializada, segundo o ator, também mudou de tom. No início, a pronúncia era alvo de cobranças, mas com o tempo o foco migrou para a construção dramatúrgica. Ele notou que suas performances têm sido elogiadas por veículos internacionais, que enxergam no sotaque um elemento de autenticidade. Isso abriu portas para outros brasileiros, que passaram a se sentir mais confortáveis para atuar em inglês sem abrir mão de sua origem.

Os filhos e a carreira de ator

Wagner Moura também emocionou o público ao falar dos dois filhos, que ensaiam os primeiros passos no universo artístico. O ator contou que eles começaram a participar de oficinas de teatro há pouco tempo e que demonstraram uma vontade genuína de contar histórias. "Acho muito legal", disse ele, sorrindo, ao falar da relação dos filhos com a atuação.

Ele explicou que não há cobrança em sua casa. Os filhos têm liberdade para explorar outras áreas, e ele atua apenas como conselheiro. Wagner destacou que ver uma nova geração descobrir o teatro o faz lembrar de sua própria juventude, quando se apresentava em espaços culturais de Salvador. Para ele, é uma forma de continuidade e renovação.

O ator também deu detalhes de como é a reação das crianças diante das câmeras. Segundo ele, os primeiros testes ocorreram em produções escolares e curtas de amigos. Ele preferiu manter tudo em um ambiente lúdico, sem abrir mão da orientação técnica. Reforçou que cada um deles vai construir o próprio caminho, sem a obrigação de seguir a mesma trilha do pai.

Um novo olhar sobre a carreira

Wagner contou que a paternidade mudou a forma como escolhe seus projetos. Hoje, ele prioriza histórias que possam ser assistidas pelos filhos e que tragam mensagens relevantes. Também se mostrou preocupado em estar presente nas gravações no Brasil, para não se ausentar por longos períodos. A conciliação entre a carreira internacional e a vida familiar foi um tema recorrente na conversa.

Para os próximos anos, o ator pretende manter uma agenda equilibrada. Ele adiantou que há um projeto de cinema em negociação, mas não entrou em detalhes. Também confirmou que seguirá usando o sotaque como parte de sua assinatura artística, em qualquer idioma.

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Ao final, Pedro Bial encerrou o programa com uma reflexão sobre identidade e representatividade, e Wagner Moura deixou uma mensagem: o importante é ser fiel a si mesmo. A entrevista completa já está disponível nas plataformas digitais da TV Globo.