O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) não compareceu a um encontro político em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na tarde desta quarta-feira (29 de janeiro), em meio à indefinição sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Ele estava na programação e dividiria o palco com Marcelo Aro (PP), também cotado para disputar o governo estadual. O Republicanos, por meio de seu diretório nacional, já havia sinalizado apoio a Aro, posição oficializada em reunião na terça-feira (28) com a participação de Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira, presidente nacional do partido.
Ausência de Cleitinho e discurso de Aro
No evento, Marcelo Aro evitou comentar diretamente a possibilidade de disputar o governo mineiro, mas discursou de forma enigmática: “Eu tenho certeza que, se for da vontade de Deus, as portas vão se abrir. E, se não for, que as portas se fechem. A gente não deveria desejar estar onde Deus não quer que a gente esteja. Vou trabalhar por aquilo que acredito ser a minha missão. Quando o discernimento é coletivo, ele é melhor. Me ajudem a discernir para que a gente tome a decisão certa. Peço a oração de vocês!”.
Cleitinho, que lidera a pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (28) com 28% das intenções de voto no primeiro turno, não justificou publicamente a ausência. O encontro ocorreu horas após o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmar à GloboNews que o senador havia desistido de concorrer ao governo. Cerca de 40 minutos depois, a assessoria de Cleitinho contradisse a declaração, afirmando que ele será candidato ao governo pelo partido.
Posição oficial do Republicanos
Em nota conjunta das executivas estadual e nacional, o Republicanos informou que a ausência de Cleitinho na convenção estadual do último sábado (25) “representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”. Uma semana antes da convenção, o senador perdeu o irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, que morreu no dia 18 de janeiro, em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, vítima de leucemia. Segundo o partido, apesar de aguardar uma definição há meses, a candidatura não foi formalmente assumida por Cleitinho, o que levou à reorganização da estratégia eleitoral.
Com a decisão, o Republicanos anunciou apoio ao ex-secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), que deve disputar o cargo. Aro, que inicialmente seria candidato ao Senado na chapa à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), viu seus planos mudarem com a entrada do senador Carlos Viana (PSD) na disputa ao Senado.
Reações e futuro político
O Partido Liberal (PL) também acompanha o impasse. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, declarou que Cleitinho “perdeu o timing” e criticou suas oscilações: “Cleitinho muda de ideia toda hora. Perdeu o timing até com o partido, com o Marcos Pereira. Ele é um bom senador. Mas, para o Executivo, vai ter dificuldade. O mineiro é educado, calmo. Cleitinho, daquele jeito mais intenso, não vai conseguir vencer no segundo turno”. Valdemar afirmou que o PL aguardava uma definição do senador para alinhar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas.
Cleitinho, por sua vez, publicou em suas redes sociais um vídeo gerado por inteligência artificial no qual aparece ao lado do pai e do irmão falecido, Matheus. Na montagem, o irmão diz: “Vá e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima. Estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda nem para a direita, siga em frente”.
Cenário eleitoral em Minas
A pesquisa Quaest, divulgada na terça-feira (28), mostra Cleitinho liderando todos os cenários para o governo de Minas Gerais. No primeiro turno, ele aparece com 28%, seguido por Alexandre Kalil (PDT) com 18%, Patrus Ananias (PT) com 12% e Mateus Simões (PSD) com 10%. No segundo turno, Cleitinho venceria qualquer adversário. A indefinição sobre sua candidatura, no entanto, pode afetar sua viabilidade eleitoral, especialmente após o rompimento com o Republicanos e as críticas de Valdemar.
Marcelo Aro, por outro lado, ganhou o apoio formal do Republicanos e deve consolidar sua pré-candidatura nos próximos dias. O ex-secretário participou de reunião por videoconferência com Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira na terça-feira, onde ficou acertado o apoio do partido. Aro, que é do PP, terá de construir uma nova aliança para viabilizar sua campanha ao Palácio da Liberdade.



