A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), detalhou na manhã desta terça-feira (9) a ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), localizado em Taguatinga. O anúncio havia sido feito no último dia 1º. O complexo está fechado há 12 anos, desde a sua "inauguração", e nunca foi utilizado efetivamente.
Impactos e medidas
A governadora negou que a mudança cause impacto no trânsito e afirmou que não haverá licitação para aquisição de móveis. Apenas pequenos reparos serão realizados para que as secretarias possam ocupar a estrutura. Celina Leão destacou que a decisão de ocupar o Centrad não visa apenas economizar com aluguéis de imóveis que atualmente abrigam as secretarias, mas também contribuir para a mobilidade urbana da capital.
"O DF é a única capital do Brasil que recebe mais de 70% do fluxo para um único local, que é o Plano Piloto. É de suma importância para a descentralização que a mobilidade continue fluindo para que eixos como Ceilândia, Taguatinga e outras cidades possam se desenvolver", afirmou a governadora.
Primeiras mudanças
No último dia 1º, a governadora anunciou que o governo utilizaria o Centrad. A chefe do Executivo local informou que a Secretaria de Obras iniciaria a mudança e que seu gabinete também seria transferido. Na primeira etapa, 31% do centro administrativo será ocupado em até 90 dias. Além da Secretaria de Obras e do gabinete da governadora, também serão transferidos para o Centrad as seguintes pastas:
- Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação
- Secretaria de Meio Ambiente
- DF Legal
- Secretaria de Mobilidade
- Casa Civil
Histórico do Centrad
O Centrad foi construído por meio de uma Parceria Público Privada (PPP) entre o GDF e o consórcio privado formado pela Via Engenharia e Odebrecht, com valor previsto de R$ 6 bilhões e duração de 22 anos. Além de erguer o prédio, o consórcio seria responsável por serviços como manutenção, segurança e limpeza. Pelos serviços após a inauguração, as empresas receberiam R$ 17 milhões mensais. Como o projeto nunca foi inaugurado, esses valores nunca foram pagos.
Por outro lado, as duas empresas alegam que gastaram cerca de R$ 1,5 bilhão na construção do Centrad e tentam reaver o valor investido. Em 2020, uma decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal proibiu o GDF de repassar recursos ao consórcio. O GDF, no entanto, tem outros gastos com o complexo. Desde que a PPP foi anulada em 2022, o governo do DF é responsável pela segurança do local, que, abandonado, é alvo de invasões, vandalismo e depredação.
Linha do tempo do Centrad
- 2009: Início das obras do Centrad por meio de PPP entre GDF e consórcio Via Engenharia/Odebrecht.
- 2014: O então governador Agnelo Queiroz inaugura o espaço no último dia de seu mandato, com obras inacabadas.
- 2015: Ministério Público (MPDFT) se manifesta contra a ocupação e não concede Habite-se.
- 2015: Governador Rodrigo Rollemberg desiste de mudar o Executivo para o local devido a irregularidades.
- 2017: Em delação na Lava Jato, ex-executivo da Odebrecht revela que negociações envolveram "acordos de mercado" e caixa dois.
- 2017: GDF instaura comissão para discutir anulação do contrato de PPP.
- 2019: Ibaneis Rocha assume e afirma que Centrad será ocupado "de um jeito ou de outro".
- 2019: MPC pede ao TCDF que barre transferência para o Centrad, alegando falta de vantagem econômica.
- 2020: Justiça proíbe GDF de repassar recursos às construtoras.
- 2022: GDF anula contrato com as empresas e PPP é desfeita.
- 2024: Assessor de Ibaneis anuncia que obras de ocupação começariam em abril.
- 2025: GDF anuncia que até abril lançará obras de ocupação.
- 2025: Em agosto, secretário de Obras diz que obras nas vias do entorno começariam "nos próximos dias".
- 2025: Ibaneis afirma que edital de concessão seria divulgado pela Terracap.
- 2025: Em setembro, Terracap informa que documentos do edital ainda estão "em produção".



