Uma pesquisa realizada pelo Espro, instituição sem fins lucrativos que capacita e insere jovens no mercado de trabalho, ouviu 1.874 jovens paulistas e constatou que, embora a inteligência artificial já faça parte da rotina de muitos – nos estudos, no trabalho ou na busca por emprego –, a preparação para lidar com essa tecnologia ainda é considerada insuficiente por boa parte deles.
Maioria vê IA como aliada, mas falta orientação
O levantamento aponta que a maioria dos jovens considera a inteligência artificial uma aliada importante para conseguir um emprego. No entanto, muitos afirmam sentir falta de orientação e de formação adequada para usar essas ferramentas. Mais de um terço dos entrevistados sente falta de orientação para usar a IA de forma adequada. Apenas um em cada três acredita ter recebido a preparação necessária, enquanto 15% avaliam que a formação atual ainda não ensina o que é preciso.
Depoimentos de jovens usuários
O estudante universitário Luiz Felipe Dias acompanha essa transformação desde a escola. Hoje, como aprendiz na área de logística, utiliza IA tanto para os estudos quanto para as atividades profissionais. "Eu uso o nível intermediário, eu uso desde 2024. Eu usava pra fazer pesquisas em relação a trabalho escolar, para me ajudar a redigir redação, estudar para o Enem... No trabalho, eu uso para me auxiliar no gerenciamento de tabelas e na pesquisa em relação a rota de logística, entregas, mercadorias e tudo mais", afirma.
A estudante de design gráfico Melissa Eugênio também utiliza a tecnologia nas tarefas do dia a dia, mas destaca que é preciso conferir as informações geradas pela ferramenta. "Eu não posso confiar 100% nela, porque às vezes ela traz alguma informação que não é 100% exata, a gente não sabe de onde ela tirou essa informação... eu procuro pesquisar para ver se aquilo realmente está correto", diz.
Formação específica revela lacunas
Para o estudante universitário Gustavo Quirino, uma formação específica ajudou a identificar limitações no uso da inteligência artificial. "Eu acredito que o curso acabou abrindo meus olhos para como utilizar a IA porque eu tinha a impressão que eu tinha um uso de qualidade, mas esse uso se mostrou com muitas lacunas. Quando você tem um acesso mais formalizado a essa informação, consegue ver que tem muito a melhorar", afirma.
Jovem não vê IA como ameaça, destaca diretor do Espro
Segundo Alessandro Saade, diretor-executivo do Espro, um dos principais resultados da pesquisa é a forma como os jovens enxergam a inteligência artificial. "O que mais chamou a atenção é que o jovem não percebe a IA como ameaça e isso é muito importante. O importante é ele aprender a usar de maneira ética, cuidadosa e séria", diz.
IA já está presente na rotina da maioria
O levantamento também mostra que a inteligência artificial já está presente na rotina da maioria dos jovens. Quase metade dos entrevistados (49%) afirma usar essas ferramentas para tarefas básicas. Outros 35% dizem recorrer à IA com frequência. Por outro lado, 10% não souberam responder e 6% ainda não utilizam esse tipo de tecnologia.
Diferencial continua sendo o humano
O estudante universitário Tiago de Oliveira foi além do uso cotidiano. Depois de aprender a utilizar a inteligência artificial, hoje trabalha desenvolvendo soluções com essa tecnologia. Para ele, o diferencial continua sendo a atuação humana. "Sem dúvida ela é uma aliada no nosso mundo hoje em dia. Como todas as tecnologias, elas chegam para somar, não substituir. Mas se você usá-la junto com os seus esforços para fazer as tarefas do dia a dia, você pode obter um resultado muito melhor e aumentar sua produtividade, aumentar seu rendimento e todas as suas formas de entregar o seu resultado."



