A intolerância religiosa nas escolas brasileiras tem aumentado de forma alarmante. Dados do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, apontam que nos primeiros cinco meses de 2023 foram registradas 1.110 denúncias de discriminação religiosa, totalizando 17 mil violações no período. Crianças e adolescentes, especialmente os de religiões de matriz africana como Umbanda e Candomblé, são as principais vítimas.
Crianças se calam por medo
Muitos alunos escondem suas crenças para evitar perseguições. Relatos indicam que agressões verbais, exclusão e até violência física ocorrem dentro do ambiente escolar. O medo de represálias faz com que essas crianças se calem, o que dificulta o combate ao problema.
O papel da escola
Especialistas defendem que a educação é a principal ferramenta para reverter esse cenário. É fundamental que professores estejam preparados para abordar a diversidade religiosa e cultural, promovendo o respeito e a tolerância. A falta de preparo dos educadores contribui para a perpetuação do preconceito.
Denúncias em alta
Os números do Disque 100 mostram um crescimento significativo em comparação com anos anteriores. A maioria das denúncias envolve ofensas, discriminação e impedimento de práticas religiosas. As regiões com maior incidência são Sudeste e Nordeste.
O que diz a lei
A Constituição Federal garante a liberdade religiosa, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que o ensino deve respeitar a diversidade cultural e religiosa. No entanto, na prática, essas garantias são frequentemente desrespeitadas.
Medidas necessárias
Para combater a intolerância, é preciso investir em formação continuada de professores, campanhas de conscientização e canais de denúncia acessíveis. As escolas devem ser espaços de acolhimento, onde todas as crenças sejam respeitadas.
A sociedade civil também tem papel importante. Organizações religiosas e de direitos humanos atuam na orientação de famílias e na denúncia de casos. A expectativa é que, com ações coordenadas, o número de violações diminua e as crianças possam expressar sua fé sem medo.



