Uma escola filantrópica de Cuiabá conquistou reconhecimento internacional ao ser selecionada entre as dez mais inovadoras do mundo. O Centro de Educação Infantil (CEI) Rosa Mutran Maluf, mantido pela Fundação Fé e Alegria, está entre os finalistas da categoria Inovação do prêmio World's Best School Prizes 2026, considerado uma das principais premiações da educação mundial.
Brasil tem quatro escolas finalistas
Além do CEI Rosa Mutran Maluf, outras três escolas brasileiras estão na lista: Escola Baniwa Koripako-Kalipana, de São Gabriel da Cachoeira (AM), finalista na categoria Ação Ambiental; Ginásio Educacional Tecnológico (GET) IV Centenário, no Rio de Janeiro (RJ), na categoria Superação de Adversidades; e Centro Educacional Primeiro Mundo, de Canaã dos Carajás (PA), também na categoria Superação de Adversidades.
Metodologia 'Criancice' é o diferencial
O reconhecimento da escola em Cuiabá veio por causa da metodologia 'Criancice', criada pela própria instituição. A proposta transforma a forma de ensinar ao colocar as crianças no centro do processo de aprendizagem, valorizando a curiosidade, a criatividade, a investigação e a participação desde a primeira infância.
Segundo a coordenadora pedagógica do CEI, Daiene Cavalcanti, o principal diferencial da escola é a maneira como a infância é compreendida dentro do ambiente escolar. 'Acreditamos que o principal diferencial foi acreditar na nossa proposta e ter a coragem de colocar as crianças no centro de todas as decisões pedagógicas. A inovação, para nós, não está na tecnologia ou em métodos prontos, mas na forma como enxergamos a infância: como potente, competente e protagonista de suas aprendizagens.'
Ela explicou que a metodologia Criancice foi construída a partir da escuta das crianças, do diálogo com as famílias e da participação da comunidade. 'Cada experiência vivida pelas crianças é planejada para fazer sentido em suas vidas e fortalecer a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de transformar o mundo. Esse reconhecimento também valoriza um trabalho coletivo realizado por educadores, famílias, parceiros e, principalmente, pelas próprias crianças.'
Salas temáticas substituem o modelo tradicional
Na prática, a rotina da instituição funciona de maneira diferente da maioria das escolas de educação infantil. Todos os dias, as crianças participam da chamada 'Ciranda', um rodízio entre salas temáticas. Em vez de permanecerem em uma única sala durante todo o período, elas percorrem diferentes ambientes preparados para estimular áreas específicas do conhecimento.
As salas são divididas em: Jardim Encantado (literatura e música), Divertidamente (neuropsicomotricidade), Play (jogos, tecnologia, raciocínio lógico e etnomatemática), Aquarela (artes e expressão artística) e Galáxia (ciências e conhecimentos sobre o mundo).
Segundo Daiene, os professores atuam como mediadores das descobertas feitas pelas próprias crianças. 'A aprendizagem acontece enquanto elas brincam, investigam, criam, convivem e resolvem problemas reais. Não substituímos o currículo; nós o tornamos vivo, significativo e conectado à realidade das crianças.'
Processo seletivo e gratuidade
Todos os anos são ofertadas 110 vagas e o atendimento é feito prioritariamente com famílias em situação de vulnerabilidade social. Segundo a instituição, nada é pago. É feita a concessão da bolsa e todos os materiais necessários são ofertados pela escola.
Reconhecimento amplia responsabilidade
Para a coordenadora, o reconhecimento internacional fortalece o trabalho desenvolvido pela instituição e amplia o compromisso de compartilhar a experiência com outras escolas e redes de ensino. 'Esse reconhecimento fortalece uma convicção que já tínhamos: é possível construir uma educação de excelência, inovadora e profundamente humana. Mais do que mudar nossos planos, ele amplia nossa responsabilidade.'
Ela destacou ainda que a instituição já desenvolve iniciativas voltadas à educação para as relações étnico-raciais e espera que a experiência incentive outras escolas. 'Esperamos que esse reconhecimento inspire outras instituições a acreditarem na potência das crianças e na força de uma educação construída em comunidade. Se a nossa experiência contribuir para que mais crianças tenham acesso a uma infância respeitada, participativa e cheia de oportunidades, esse reconhecimento terá um significado ainda maior', ressaltou.



