O ranking das 50 escolas com as maiores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 é amplamente dominado por instituições privadas, com destaque para as regiões Sudeste e Nordeste. Apenas duas escolas públicas, ambas vinculadas a universidades federais, figuram na lista. O levantamento aponta ainda que, apesar do alto desempenho, algumas escolas apresentaram redução significativa de matrículas entre 2024 e 2025, o que sugere uma seleção mais rigorosa de alunos.
Domínio privado e presença regional
Das 50 escolas listadas, 48 são particulares. As regiões Sudeste e Nordeste concentram a maioria das instituições, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco. Apenas duas escolas públicas aparecem: o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (CAp-UFPE) e o Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ).
Segundo o levantamento, as escolas privadas de alto desempenho mantêm médias elevadas, mas algumas registraram queda no número de matrículas. Por exemplo, o Colégio Bernoulli, em Belo Horizonte, teve redução de 12% nas matrículas de 2024 para 2025. Já o Colégio Santo Agostinho, no Rio de Janeiro, apresentou diminuição de 8% no mesmo período.
Queda de matrículas e seleção de alunos
A redução de matrículas em algumas escolas de elite pode estar relacionada a uma estratégia de seleção mais rigorosa, visando manter ou elevar as notas médias no Enem. Especialistas consultados apontam que a diminuição do número de alunos permite que as instituições foquem em candidatos com maior potencial de desempenho. “É uma prática comum entre escolas que buscam se destacar nos rankings: reduzir o ingresso de alunos com perfil de menor rendimento”, afirmou o analista educacional Carlos Pereira, do Instituto de Pesquisas Educacionais.
Em contrapartida, escolas públicas de aplicação, que tradicionalmente têm processo seletivo próprio, mantiveram estabilidade no número de matrículas. O CAp-UFPE, por exemplo, registrou leve aumento de 2% nas matrículas em 2025.
Impacto no acesso ao ensino superior
O domínio das escolas privadas no topo do ranking reflete desigualdades no sistema educacional brasileiro. Alunos de escolas públicas têm menor acesso a recursos como cursinhos preparatórios e materiais didáticos de ponta. “O Enem é um termômetro das desigualdades: enquanto as escolas privadas preparam seus alunos com foco no exame, as públicas muitas vezes lutam para oferecer o básico”, destacou a professora Marina Santos, da Universidade de São Paulo.
Para o Ministério da Educação, o resultado reforça a necessidade de políticas públicas que melhorem a qualidade do ensino médio nas escolas públicas. Em nota, a pasta afirmou que “investe em programas como o Pé-de-Meia e a reforma do ensino médio para reduzir essas disparidades”.



