No Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, alunos de áreas periféricas da Região Metropolitana estão resgatando uma técnica fotográfica do século XIX que utiliza ingredientes como ovos, ouro e prata. O processo, que era empregado por mestres da fotografia como Marc Ferrez, foi ensinado durante o projeto Escola Escuta, que já abriu as portas do IMS para 410 alunos e chega este ano à sua terceira edição.
Resgate de uma tradição
A técnica artesanal, que envolve a emulsão de clara de ovo com nitrato de prata e ouro, produz imagens com uma qualidade única e duradoura. Diferente das imagens digitais modernas, esse método exige paciência e precisão, desde a preparação dos materiais até a revelação final.
Os participantes, vindos de comunidades periféricas, tiveram a oportunidade de aprender com especialistas e praticar em laboratório. O projeto não apenas ensina a técnica, mas também busca democratizar o acesso ao conhecimento e fomentar a multiplicação dessa prática rara, destacando a importância de preservar tradições artísticas e históricas.
Impacto do projeto
A Escola Escuta, que já beneficiou centenas de alunos, reforça o compromisso do IMS com a inclusão cultural. A cada edição, novos estudantes são apresentados a esse processo fotográfico ancestral, muitos dos quais nunca haviam tido contato com técnicas analógicas.
O curso inclui aulas teóricas e práticas, com foco na história da fotografia e na execução passo a passo do método. Os alunos produzem suas próprias fotografias, que são reveladas no laboratório do instituto.
Com a terceira edição em andamento, a expectativa é que mais jovens se interessem pela técnica, perpetuando um saber que corre o risco de se perder. O IMS planeja expandir o projeto para outras regiões, levando essa experiência única a um público ainda maior.



