Os alunos da tradicional Escola Nacional de Circo, localizada no Rio de Janeiro, estão há 50 dias sem aulas. A paralisação começou no dia 10 de junho, quando os professores decidiram suspender as atividades por falta de pagamento de salários e por problemas na estrutura do prédio. A escola, que é referência no ensino de artes circenses no Brasil, tem cerca de 200 alunos matriculados nos cursos técnico e de formação inicial.
Motivos da paralisação
De acordo com o Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio), os docentes não recebem salários desde abril. Além disso, há relatos de infiltrações, problemas elétricos e falta de materiais básicos para as aulas práticas, como colchonetes e equipamentos de segurança. A direção da escola, vinculada à Funarte, afirma que está buscando soluções junto ao Ministério da Cultura, mas ainda não há previsão de retorno das aulas.
Em nota, a Funarte informou que "está empenhada em resolver a situação o mais rápido possível" e que "já foram realizados pagamentos parciais aos professores referentes a meses anteriores". No entanto, os docentes afirmam que a situação é insustentável e que não retornarão ao trabalho até que todos os salários atrasados sejam quitados.
Impacto nos alunos
Os estudantes, muitos dos quais dependem da escola para formação profissional, estão preocupados com o atraso no calendário. A aluna Maria Clara, de 18 anos, disse: "Estou há quase dois meses sem treinar. Isso compromete meu desenvolvimento e minhas chances de conseguir um emprego na área". Outros alunos relataram que estão perdendo oportunidades de participar de espetáculos e festivais.
A Escola Nacional de Circo foi fundada em 1982 e já formou centenas de artistas que atuam em companhias nacionais e internacionais. A paralisação atual é a mais longa desde 2016, quando houve greve de 30 dias.



