Temporal em Ribeirão Preto: 592 caminhões de árvores vão para aterro
Temporal em Ribeirão Preto: 592 caminhões de árvores vão para aterro

Desde o temporal que atingiu Ribeirão Preto e outras cidades do interior de São Paulo na última sexta-feira (24), com ventos de até 160 km/h, a limpeza urbana enfrenta um desafio monumental. Em apenas quatro dias, 592 caminhões carregados com galhos, troncos e tocos de árvores foram transportados para um aterro municipal localizado na Rodovia Mário Donegá (SP-291). Esse número representa mais da metade do total de 800 veículos que, em média, chegam mensalmente ao local em condições normais.

Destino dos resíduos: adubo e combustível

Marília Vendrúsculo, gerente de limpeza urbana da Prefeitura de Ribeirão Preto, explicou o processo: todo o material recebido é triturado pela empresa responsável pelo aterro e posteriormente vendido para ser aproveitado como adubo ou combustível para caldeiras de usinas. “Esse material pode ir tanto para a agricultura quanto para caldeiras, mas praticamente a destinação é agricultura. Para fazer adubação, a técnica é chamada de mulching. A gente cobre o solo e ali tem os nutrientes, tem a umidade, então a agricultura só ganha com esse tipo de material”, afirmou.

Impacto do temporal: reconstrução e emergência

O temporal, classificado por especialistas como uma microexplosão, afetou uma área estimada de 79 mil hectares na região, segundo o governo estadual. Uma das vítimas foi um homem de 75 anos, que morreu enquanto dormia após um galpão desabar sobre sua casa. Cerca de 1,8 mil pessoas ficaram desalojadas, e os serviços básicos foram gravemente prejudicados. Em Ribeirão Preto, 100% da rede elétrica caiu no auge da tempestade, com 54 torres de transmissão e centenas de postes derrubados, comprometendo 80% do sistema de abastecimento de água.

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Prejuízos e gastos estimados

A Prefeitura de Ribeirão Preto estima um gasto de R$ 21,1 milhões apenas para a limpeza de vias, praças e remoção de troncos e massa verde. Em Guariba, uma força-tarefa foi montada para reconstruir o sistema elétrico. Municípios como Ribeirão Preto, Dumont e Taquaritinga decretaram situação de emergência, medida reconhecida pelo governo federal para agilizar o envio de auxílio e recursos.

Infraestrutura urbana comprometida

A queda de centenas de árvores interditou avenidas importantes, prejudicando o trânsito e a infraestrutura urbana. Escolas e postos de saúde permanecem fechados 96 horas após o temporal, enquanto equipes trabalham para restabelecer os serviços. A força-tarefa em Guariba visa reconstruir o sistema elétrico que foi severamente danificado.

O aterro municipal continua recebendo caminhões sem parar, e a expectativa é que o volume de resíduos só diminua nas próximas semanas. Enquanto isso, a população se mobiliza para ajudar os desalojados e a cidade se prepara para a fase de reconstrução.

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