O volume de serviços prestados no Brasil caiu 0,5% em maio na comparação com abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi fortemente influenciado pelo setor de transportes, que registrou queda de 1,8% no período, pressionado pelo aumento nos custos do diesel.
Transportes puxam resultado negativo
De acordo com o IBGE, o segmento de transportes, que inclui serviços rodoviários de cargas e passageiros, foi o principal responsável pela retração do setor de serviços como um todo. “O aumento do preço do diesel impactou diretamente os custos operacionais das empresas de transporte, reduzindo a margem e a demanda”, explicou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa. O preço médio do diesel subiu 3,2% em maio, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Dentro dos transportes, o transporte rodoviário de cargas caiu 2,3%, enquanto o transporte de passageiros recuou 1,5%. Já os serviços auxiliares aos transportes, como armazenagem e logística, tiveram queda de 1,2%.
Impacto no acumulado do ano
Com o resultado de maio, o setor de serviços acumula queda de 1,2% no ano. Nos últimos 12 meses, o crescimento é de apenas 0,8%, bem abaixo da média histórica. “A desaceleração é evidente, e o transporte é o principal vilão. Se não houver alívio nos custos de combustível, a tendência é de mais retração nos próximos meses”, afirmou Lobo.
O IBGE também destacou que, entre os cinco segmentos pesquisados, apenas dois tiveram alta em maio: serviços de informação e comunicação (0,4%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (0,2%). Os demais — transportes, serviços prestados às famílias e outros serviços — apresentaram queda.
Setor de serviços ainda abaixo do pré-pandemia
Apesar da recuperação gradual, o volume de serviços em maio ainda está 1,5% abaixo do nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia de covid-19. O setor de transportes, especificamente, está 3,8% abaixo do patamar pré-pandemia. “A retomada completa ainda está distante, especialmente para os transportes, que enfrentam custos elevados e demanda instável”, completou o gerente do IBGE.
Os dados do IBGE mostram que a inflação de custos, especialmente do diesel, continua a pressionar o setor de serviços, que responde por cerca de 60% do PIB brasileiro. A expectativa do mercado é de que o Banco Central mantenha a taxa Selic elevada para conter a inflação, o que pode desaquecer ainda mais a atividade econômica.



