O Rio de Janeiro é a única cidade brasileira a figurar no ranking "World's Most Sexually Liberal Cities 2026", elaborado pela plataforma Erobella. A capital fluminense aparece na 31ª colocação entre 41 metrópoles analisadas, somando 34 pontos em um índice que avalia a liberdade sexual sob diferentes aspectos. Apesar da fama internacional por praias, carnaval e cena LGBTQIAPN+ vibrante, a cidade fica longe do topo da lista, que é liderada por Amsterdam, seguida por Vancouver e Manchester.
Metodologia do ranking: dez indicadores analisados
O levantamento da Erobella cruza dados de dez indicadores, todos com peso igual na pontuação final. A análise considera desde a oferta de sex shops, bares gays, eventos voltados ao público LGBTQIAPN+ e festas destinadas ao público gay até aspectos mais amplos, como reconhecimento legal da identidade de gênero, legislação antidiscriminação, normas sobre o trabalho sexual, existência de organizações de apoio a profissionais do sexo, uso de métodos contraceptivos e acesso ao aborto.
O objetivo é medir o quanto cada cidade oferece um ambiente favorável à liberdade sexual e aos direitos relacionados ao tema. No caso do Rio de Janeiro, os principais destaques vêm da legislação brasileira, que garante direitos importantes para a população LGBTQIAPN+.
Brasil se destaca em direitos legais, mas fica aquém em outros critérios
O Brasil recebeu nota máxima (10) nos critérios de reconhecimento legal de gênero e leis antidiscriminação, refletindo garantias jurídicas conquistadas pela população LGBTQIAPN+ nos últimos anos. O indicador sobre uso de contraceptivos alcançou 7,49 pontos, enquanto a legislação referente ao trabalho sexual recebeu 5 pontos.
Em contrapartida, o Brasil zerou no quesito direito ao aborto, já que a interrupção da gravidez permanece permitida apenas nas situações previstas em lei. Os indicadores relacionados à infraestrutura, como número de bares gays, eventos LGBTQIA+ e sex shops, registraram pontuações mais discretas na metodologia utilizada pelo levantamento.
Protagonismo latino-americano e percepção versus realidade
Embora o Rio tenha figurado apenas na 31ª posição, sua presença como única cidade brasileira reforça o protagonismo da capital fluminense no cenário da diversidade da América Latina. O ranking também evidencia que a percepção de uma cidade sexualmente liberal depende de uma combinação de fatores culturais, legais e sociais — e não apenas de sua fama como destino turístico ou de sua vida noturna.
Cidades bastante conhecidas pela cena LGBTQIAPN+, como Berlim, São Francisco, Madri, Buenos Aires e Barcelona, também aparecem entre as primeiras colocações, mostrando que a liberdade sexual é um conceito multidimensional que vai além do entretenimento noturno.



