Quermesse x festa junina: entenda as diferenças entre os eventos tradicionais
Quermesse x festa junina: entenda as diferenças

Quermesse, festa junina, São João... Os termos parecem tratar da mesma celebração, apenas com diferença de meses, mas cada evento tem sua particularidade. Para esclarecer as distinções, o g1 conversou com representantes religiosos da Igreja Católica de Presidente Prudente, no interior paulista.

O que dizem os religiosos

O padre Éverton Aparecido da Silva, da Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja de Prudente, afirma: “A diferença é o nome que aquela região específica oferece ao evento no tempo em que é realizado.” Enquanto as quermesses têm propósito beneficente, as festas juninas celebram a tradição religiosa.

Segundo o dicionário Michaelis, quermesse significa “festa paroquial ou feira anual celebrada na Holanda com grandes folguedos”. O termo se enquadra como “feira pública com barracas que promovem sorteios, leilão de prendas e brincadeiras, em geral com fins beneficentes”. Já a festa junina não aparece no dicionário.

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Eventos como esses são importantes para a Igreja Católica e a comunidade, pois edificam a fé no cotidiano, para além da igreja, segundo o padre. “Uma festa junina, uma celebração de São João, é uma oportunidade de tecer laços, celebrar encontros entre a comunidade de modo geral.” “É testemunhar a vida, a alegria do encontro com Deus, daqueles momentos em que se vive a fé... A fé não é só dentro de quatro paredes, ela é como o mandato de Jesus, que vai além, para os relacionamentos, em casa, na família, na sociedade”, completa.

Quermesse ou festa junina?

A irmã Penha Barros, da Paróquia Santa Rita, também de Prudente, traz mais detalhes. A freira esteve à frente do “arraiá” — outro termo usado para essas festas — de uma creche na cidade. Segundo ela, a diferença entre as nomenclaturas é:

  • Quermesse: festa organizada pela comunidade, geralmente ligada à paróquia, com objetivo de promover convivência, alegria e arrecadação de recursos para atividades da Igreja e projetos sociais.
  • Festas juninas e julinas: celebrações em homenagem aos santos populares: Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).
  • São João: festa celebrada em 24 de junho, especificamente em homenagem a São João Batista, o profeta que preparou o caminho para Jesus Cristo.

Para a Igreja Católica, essas festividades são oportunidades de evangelização, integração e fortalecimento dos laços comunitários, conforme a freira. “Por trás de cada festa existe o trabalho dedicado de muitos voluntários que colaboram na organização, preparação dos alimentos, decoração, acolhida e diversas outras atividades.” “Elas reúnem famílias e amigos em momentos de confraternização, valorizando a cultura, a fé e as tradições populares”, afirma.

Em particular, a irmã Penha afirma que participar dessas festas contribui para que a igreja continue com a missão de acolher, evangelizar e servir. “Celebrar festas é um convite para agradecer a Deus o dom da alegria que todos temos, mas que, no mundo tão cheio de complicações relacionais, a alegria está a desejar.” Independentemente do termo, os eventos tradicionais se tornam uma oportunidade de comunhão. “É um convite para que todos participem com alegria das festas, resgatando essa importante dádiva do Senhor em nossa vida e em nossa história.” “Participar é se contagiar, se relacionar, é viver com intensidade. É amar e fazer o bem também com palmas, rodopios, sorrisos e gritos, cantigas e muitos quitutes deliciosos. O nosso Deus é o Deus da festa e da alegria”, completa.

O padre Éverton destaca: “Quando nós participamos de momentos como esses, fortes agora, no mês de junho e julho, nós testemunhamos a alegria do Deus que faz morada em nós e que nos leva a nos encontrarmos com os irmãos e irmãs.”

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Origem da palavra quermesse

Segundo a Paróquia Santíssima Virgem, as quermesses surgiram na Idade Média, na Bélgica e Holanda. A origem da palavra “quermesse” vem da língua flamenga (neerlandês/holandês), kerkmisse ou kerkmis (kerk = igreja, messe = feira, missa). Os eventos misturavam tradições pagãs dos festejos das colheitas e do verão com rituais e celebrações da Igreja Católica, geralmente em honra ao padroeiro ou festa de algum santo, acontecendo ao ar livre com participação em massa da população.

As quermesses se espalharam pelos Países Baixos e demais regiões europeias e chegaram ao Brasil com os colonizadores portugueses, que trouxeram também as devoções a Santo Antônio, São Pedro e São João. A partir disso, fortaleceram-se as quermesses e festas juninas, principalmente na região Nordeste do país, com as festas de São João.

Festas juninas

Os colonizadores portugueses adaptaram as festividades juninas ao contexto brasileiro, incorporando elementos da cultura indígena e africana, conforme a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A fogueira representa o poder do sol e a celebração da fertilidade, da colheita e do ciclo da vida, em que os pagãos celebravam o solstício de verão. Com a cristianização, a fogueira passou a ter novo significado, associada à luz de Cristo e à purificação espiritual.

Quanto à música, o forró, baixão, xote e arrasta-pé são os estilos mais comuns nas festas juninas, segundo a UFRB. Esses estilos possuem influências da música portuguesa e de elementos musicais indígenas e africanos, criando sonoridade única e contagiante. As letras tratam de temas como vida no campo, amor, festividade e tradições juninas, sendo alegres e convidativas à dança.

A dança tem origem no século XIX, durante o período colonial brasileiro, a partir da influência das danças de salão europeias, especialmente a contradança, que foi adaptada e deu origem à quadrilha junina.

Na comida típica, o milho é ingrediente principal, com origem remota entre os povos indígenas, que cultivavam e consumiam o grão milhares de anos antes da chegada dos colonizadores. O milho representa os ciclos da vida, renovação e gratidão pela terra. Entre as comidas à base de milho, destacam-se bolo, canjica, pamonha, curau, pipoca e milho verde. Outros alimentos como fubá e amendoim também incorporaram o cardápio junino.