Quadro 'Tem Solução' mostra reciclagem e renda em Rio Preto e Botucatu
Quadro 'Tem Solução' mostra reciclagem e renda em SP

Economia criativa e circular transformam vidas no interior de SP

O quadro 'Tem Solução' da TV TEM destacou histórias de reciclagem e geração de renda em São José do Rio Preto e Botucatu, unindo economia criativa e economia circular. Em Bauru, a artesã Patrícia Regina Dejavit, que trabalha há cerca de 20 anos na própria casa, afirma: “Eu faço enxoval de bebê, tapete, enxoval de cama, mesa e banho, cachecol... de tudo um pouco”. A atividade é essencial para o orçamento doméstico, representando quase 70% da sua renda mensal.

Do lixo à arte: artesã de Rio Preto reaproveita materiais

Em São José do Rio Preto, Jhennifer Trindade, há 9 anos no setor, trabalha exclusivamente com reaproveitamento. Telhas de barro viram quadros decorativos, tampas de caixote se transformam em bandejas, e cascas de coco viram utensílios de cozinha. “Essa aqui eu encontrei em um ponto de apoio. Ela tinha vindo de uma cachoeira, por isso é moldada assim, esculpida pela própria água. Pretendo fazer um quadro de parede com o próprio tronco, aproveitando o desenho que a natureza fez”, conta Jhennifer. O talento é herança de família: “Começou com a influência do meu pai. Desde criança, eu o via dando um novo significado para as peças que pegava. Ele também desenha e pinta”. O que era passatempo virou fonte de renda, com peças vendidas em feiras de artesanato. “Acho que minhas peças não são só bonitas de olhar, também é um trabalho consciente. Então, sinto que tenho um papel importante, não só visual, mas também para a natureza”, diz.

Sacolas plásticas viram bolsas: exemplo de Ernestina

Em Bauru, a aposentada Ernestina Maria Campreghener, de 75 anos, transforma sacolinhas plásticas em bolsas, toalhas de mesa e almofadas. Estima-se que cerca de 1,5 milhão de sacolas saiam das lojas diariamente, e cada uma pode levar até 450 anos para se decompor. Para confeccionar uma única bolsa, Ernestina utiliza de 70 a 80 sacolinhas. “Eu faço e dou para um, dou para outro. O que sobra, vira enchimento de almofada. Não desperdiço nada. Não vai nada para o meio ambiente”, relata.

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Empresa de Botucatu reaproveita retalhos têxteis

Em Botucatu, a empresária Fabíola Ensinas Rojas criou uma segunda marca para aproveitar retalhos acumulados por quase 10 anos. “De repente, olhei para aquele quartinho cheio de sacos porque eu não conseguia jogar fora. Essa inquietação sobre o que fazer com o material me levou a criar a segunda marca, onde pude aproveitar todo esse estoque”, relembra. Os retalhos viram cestos de roupas, bolsas e brinquedos infantis, como um kit de jardinagem. Para tornar o kit 100% sustentável, Fabíola fez parceria com Júlio Pinhel, responsável por uma empresa de compostagem. “Entendi que era algo que ela buscava para compor os kits. Ela precisava de um produto que fizesse sentido dentro do que oferta. Quando ela conheceu o nosso processo, a conexão foi rápida”, explica Júlio. Fabíola completa: “A sustentabilidade começou muito cedo na minha vida. Desde criança, via minha avó fazendo o que hoje chamamos de compostagem. Isso se estendeu para a construção da minha casa, onde reaproveitei materiais de uma estrutura antiga. Criar uma empresa com reaproveitamento é algo genuíno pela vivência que tive”. Júlio finaliza: “A gente fecha o ciclo do alimento. O alimento vira alimento de novo. Você vai ao mercado, compra o alimento, faz o almoço e gera a casca. Ela vai para a compostagem, vira adubo e volta para a terra para produzir novos alimentos. É realmente um movimento circular”.

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