Projeto Mãos à Obra constrói casas para famílias vulneráveis em Itapetininga
Projeto Mãos à Obra constrói casas para famílias vulneráveis

O sentimento de Douglas Francisco hoje é de gratidão. Em 2020, ele chegou a Itapetininga (SP) com a esposa e os dois filhos em busca de emprego e novas oportunidades. No entanto, a adaptação não foi simples. Mesmo disposto a trabalhar, o pintor não conseguiu serviço e a família acabou vivendo em situação de rua.

Transformação pelo projeto Mãos à Obra

A realidade começou a mudar quando eles conheceram o projeto “Mãos à Obra”. Criado em 2013 pela Igreja Católica da Diocese de Itapetininga, a iniciativa auxilia famílias em situação de vulnerabilidade social, muitas delas sem condições de manter uma moradia digna.

“Eu dormi na praça por duas semanas. Aí me falaram do projeto e fui atrás para ver se conseguia alguma coisa. Eu estava na rua. Chegando lá, conversando com ele, me arrumaram trabalho, me arrumaram casa pra eu morar com a minha família. Conseguiram alguns móveis, alimentação. Tenho muita gratidão”, relata Douglas.

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Atualmente, a família mora em uma casa cedida temporariamente pelo projeto. Além disso, já conquistou um terreno onde pretende construir a casa própria no futuro. A conquista emociona Michele Cristina da Silva Francisco, esposa de Douglas, que afirma que a ajuda chegou em um momento decisivo para a família.

“Fico emocionada porque eu cheguei aqui e não tinha nem roupa para usar, não tinha nada. Aí meu marido foi trabalhar lá, arrumaram a casa para gente, os móveis. Tenho muita gratidão por eles. Quero também realizar o sonho de outras pessoas, que estão hoje no lugar que eu estive um dia”, aponta a mulher.

Voluntários em ação

Os voluntários organizam mutirões para reformar e até construir casas para famílias que precisam de ajuda. Desde o início das atividades, cerca de 100 famílias já foram beneficiadas. Solange Manuel Souto Vieira, presidente do projeto, destaca que para algumas famílias uma simples reforma em um dos cômodos já garante melhorias e bem-estar.

“Atingindo assim umas 900 pessoas, mais ou menos, em torno de 12 anos. A gente sente uma alegria muito grande de ver a mudança nas famílias. A alegria. Uma criança que não tinha um banheiro decente na casa, ela olha o banheiro. A família inteira. Esses dias a gente viu uma criança sendo tocada porque o banheiro foi transformado na casa dela”, relata Solange.

Atualmente, o grupo responsável pelo projeto coordena três obras em Itapetininga, entre reformas e construções. Uma delas acontece no bairro Vila Mazzei. No começo deste ano, a família moradora procurou o projeto com a intenção de trocar apenas o telhado da casa. Após avaliarem as condições do imóvel, os voluntários decidiram ampliar a ajuda.

Além da troca do telhado, a equipe construiu um banheiro e realizou o reboco das paredes. A expectativa é que a obra seja concluída nas próximas semanas. Todo o material utilizado nas construções e reformas é obtido por meio de doações. Já a mão de obra dos pedreiros e serventes é custeada pelo projeto, que também recebe contribuições financeiras da comunidade.

Autonomia e dignidade

Segundo o padre Leonardo Mendes, diretor espiritual do “Mãos à Obra” e pároco da Paróquia Santa Cruz, em Cesário Lange (SP), o projeto também atua em outras frentes para incentivar a autonomia das famílias atendidas, evitando que elas dependam exclusivamente de ajuda.

“São amparadas. Recebem da igreja a assistência que precisam para saírem daquela situação de vulnerabilidade e assim conseguir prosseguir sua vida com dignidade”, explica o padre.

A história de Cindicleia de Medeiros Machado é um exemplo dessa transformação. Em 2014, após deixar a prisão, ela recebeu ajuda do projeto para reformar a casa da mãe. Anos depois, conseguiu um emprego e passou a trabalhar com a venda de salgados produzidos em casa. No fim do ano passado, Cindicleia realizou o sonho da casa própria.

“Maravilhoso. É acreditar no ser humano. Tem ser humano que precisa de uma ajuda, só isso. De um 'empurrão' para retomar e mudar a história. Como foi mudada a minha, eu acredito que muitas vidas mais serão mudadas”, celebra a mulher.

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