A paralisação dos professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) ganhou força na manhã desta sexta-feira (12) e levou milhares de profissionais às ruas de Campo Grande. Segundo a ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), aproximadamente 3 mil professores participaram de uma passeata que partiu da Rua Rui Barbosa e percorreu a Avenida Afonso Pena até a Prefeitura. Com dois carros de som, faixas e gritos de protesto, os manifestantes ocuparam parte da principal avenida da capital para exigir o cumprimento do reajuste salarial de 5,4%, previsto na política do Piso de 20 horas.
A mobilização também impactou diretamente as escolas municipais. Na Escola Municipal Geraldo Castelo, localizada no Bairro Monte Líbano, os portões permaneceram fechados durante toda a manhã. Em todas as unidades da rede, as aulas foram suspensas devido à adesão dos profissionais ao movimento. A paralisação foi aprovada durante assembleia realizada na última segunda-feira (8), após a categoria rejeitar a justificativa apresentada pela Prefeitura para não aplicar o reajuste.
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, os professores não aceitaram os argumentos do Executivo e defendem o cumprimento do que foi acordado com a categoria. “A categoria avaliou essa resposta em uma assembleia, não aceitou os argumentos e decidiu por paralisar. Lei é para ser cumprida. Os 5,4% representam a reposição do magistério e a categoria não abre mão dessa questão”, afirmou.
Durante a caminhada, a expectativa dos professores era serem recebidos pela prefeita Adriane Lopes e por integrantes da administração municipal para discutir uma saída para o impasse. Na Prefeitura, os secretários municipais de Governo e de Educação aguardavam a chegada dos manifestantes para uma reunião com representantes da categoria. O secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, afirmou que a administração mantém o diálogo aberto, mas ressaltou a necessidade de equilíbrio fiscal. “Queremos formar uma comissão que represente a categoria, juntamente com vereadores da área da educação, para dialogarmos com a prefeita. O diálogo sempre esteve à mesa. O que precisamos neste momento é de responsabilidade fiscal”, declarou.
Apesar da paralisação desta sexta-feira, os estudantes voltarão às salas de aula normalmente na próxima segunda-feira (15). Isso porque a nova assembleia da categoria foi marcada para as 18h, após o término do período escolar. No encontro, os professores vão avaliar o resultado das negociações com a Prefeitura e decidir se avançam para uma greve por tempo indeterminado. A definição deve ocorrer durante a assembleia marcada pela ACP.



