A prisão em flagrante de um ambulante acusado de cobrar R$ 8.246,40 de um turista francês por duas caipirinhas que custariam R$ 80 reacendeu o alerta para uma série de golpes, crimes e práticas ilegais que vêm sendo registrados nas praias do Rio. O caso ocorreu no último domingo, em Copacabana, durante o primeiro fim de semana da operação Tolerância Zero, e levou a Polícia Civil a reforçar orientações para que moradores e visitantes confiram os valores exibidos nas maquininhas de cartão antes de concluir qualquer pagamento.
Operação Tolerância Zero e o caso da caipirinha
A ofensiva municipal foi anunciada após uma sequência de reportagens publicadas pelo GLOBO revelar o avanço de irregularidades na orla. Além dos “golpes da maquininha”, as praias convivem com a atuação de facções no comércio ilegal, denúncias de massagens feitas sem consentimento, venda de drogas e outras situações que passaram a preocupar moradores e turistas. Embora o caso das caipirinhas tenha voltado ao centro do debate, ele está longe de ser um episódio isolado.
O caso mais recente aconteceu na tarde de domingo, em Copacabana. Um turista francês acreditava estar pagando R$ 80 por duas caipirinhas, mas teve debitados R$ 8.246,40 em seu cartão de crédito. Segundo a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), o ambulante informou que não aceitava dinheiro e exigiu o pagamento por cartão. Após receber as características do suspeito, policiais localizaram o vendedor, reconhecido pela vítima e preso em flagrante por estelionato. A Polícia Civil informou ainda que encontrou na máquina de cartão duas tentativas de cobrança recusadas que, somadas, ultrapassavam R$ 20 mil. Em depoimento, o ambulante negou ter aplicado o golpe.
Facções criminosas e comércio ilegal nas praias
Uma investigação publicada por O GLOBO mostrou que a disputa entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), as duas maiores da cidade, ultrapassou os limites das comunidades e passou a influenciar também o funcionamento da orla de Copacabana e do Leme, na Zona Sul. Segundo autoridades e comerciantes ouvidos na reportagem, grupos criminosos passaram a disputar o controle de atividades ilegais nas praias, como a venda de drogas e parte do comércio irregular. O fim do “pacto de não agressão”, que vigorou por anos entre as duas organizações criminosas, teria elevado a tensão entre ambulantes e afetado a rotina de trabalhadores da praia. O inquérito também mostrou que a atuação das facções dificulta a fiscalização e amplia a sensação de insegurança em um dos principais cartões-postais da cidade.
Massagens não solicitadas e agressões na Barra
Frequentadores da Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, denunciaram, no sábado, uma série de episódios envolvendo pessoas que oferecem massagens sem que o serviço tenha sido solicitado. Segundo os relatos, alguns massagistas iniciam o atendimento mesmo após a negativa dos banhistas e, ao final, exigem pagamento. Em alguns casos, as recusas terminaram em discussões e agressões físicas. As denúncias levaram a população a cobrar maior fiscalização na orla, diante da repetição dos episódios.
Esquema unia traficantes e ambulantes para extorquir turistas
Em junho de 2025, agentes da Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat) prenderam cinco suspeitos de integrar um esquema de extorsão e tráfico de drogas que atuava nas praias da Zona Sul do Rio. Segundo a investigação, o grupo era formado por traficantes da Vila Kennedy e ambulantes que trabalhavam na orla. De acordo com a Polícia Civil, os criminosos utilizavam maquininhas de cartão adulteradas para aplicar golpes em turistas, principalmente estrangeiros. As vítimas eram induzidas a pagar valores muito superiores aos combinados por produtos de baixo custo, como R$ 1 mil por um cigarro, mais de R$ 20 mil por uma caipirinha e R$ 7 mil por uma sunga. A investigação apontou ainda que o grupo também estaria envolvido com o tráfico de drogas na orla.
Resgate de praticantes de stand up paddle em Copacabana
Nem todos os problemas registrados nas praias envolvem crimes, mas alguns representam sérios riscos à segurança. Em outubro de 2025, bombeiros precisaram resgatar mais de 40 praticantes de stand up paddle que foram arrastados pelo vento para longe da faixa de areia em Copacabana. A ocorrência serviu de alerta para os riscos da prática em dias de ventos fortes e mar agitado. Os bombeiros reforçaram a orientação para que esportistas acompanhem as condições meteorológicas antes de entrar no mar e utilizem equipamentos de segurança, como colete salva-vidas e leash (cabo de segurança que prende a perna do praticante à prancha, evitando que ela se perca nas ondas), reduzindo o risco de ficarem à deriva.



