O prédio da Universidade Veiga de Almeida (UVA) localizado em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, será levado a leilão. A decisão judicial decorre de dívidas trabalhistas e fiscais que somam aproximadamente R$ 8 milhões. O edifício de 12 andares, situado na Rua Visconde de Pirajá, tem valor avaliado em R$ 20 milhões.
Detalhes do leilão
O leilão está marcado para o dia 15 de julho de 2026, às 14h, e será realizado pela plataforma online Lance Judicial. O lance inicial será de R$ 12 milhões, correspondente a 60% do valor de avaliação. Caso não haja interessados, um segundo leilão ocorrerá em 29 de julho, sem preço mínimo.
De acordo com o edital, o imóvel possui 2.400 metros quadrados de área construída, distribuídos em subsolo, térreo e 10 pavimentos. Atualmente, o prédio abriga salas de aula, laboratórios e administrativos da UVA.
Histórico da dívida
As dívidas que motivaram o leilão têm origem em ações trabalhistas movidas por ex-funcionários e em débitos com a Fazenda Nacional. A universidade tentou negociar os valores em parcelamento, mas não conseguiu manter o acordo. A Justiça do Trabalho determinou a penhora do imóvel como garantia do pagamento.
“A universidade reconhece as dívidas e tem buscado soluções, mas o valor total já ultrapassa R$ 8 milhões”, afirmou o advogado da UVA, Carlos Mendes, em depoimento ao processo.
Impacto para alunos e funcionários
O leilão não interrompe imediatamente as atividades acadêmicas. A universidade informou que as aulas continuam normalmente no prédio até que haja a transferência de posse. Cerca de 1.200 alunos utilizam as instalações diariamente. A direção da UVA afirma que está providenciando alternativas, como a locação de outro imóvel na região, para realocar as atividades caso necessário.
O sindicato dos professores manifestou preocupação com a possibilidade de demissões. “A situação é grave. Se o prédio for vendido, a universidade pode ter que reduzir turmas e cortar vagas”, disse a presidente do sindicato, Maria Oliveira.
Contexto econômico
O leilão de imóveis de instituições de ensino tem se tornado mais frequente no Rio de Janeiro nos últimos anos. A crise econômica e a queda no número de matrículas no ensino superior privado pressionam as finanças das universidades. Dados do Ministério da Educação mostram que, entre 2020 e 2025, o número de alunos em universidades privadas no estado caiu 15%.
Especialistas apontam que a UVA enfrenta concorrência de instituições maiores e de cursos a distância. “O mercado de ensino superior no Rio está saturado. As faculdades menores precisam se reinventar para sobreviver”, analisa o consultor educacional Paulo Rocha.
Próximos passos
Se o imóvel for arrematado no leilão, o valor obtido será utilizado para pagar os credores trabalhistas e fiscais, seguindo a ordem de prioridade legal. A universidade ainda pode recorrer da decisão, mas as chances de reverter a penhora são consideradas baixas pelos advogados envolvidos.
O leilão do prédio da UVA em Ipanema é mais um capítulo na reestruturação do ensino superior privado no Brasil, que enfrenta desafios financeiros e operacionais. A comunidade acadêmica acompanha com apreensão o desfecho do caso.



