A travessia perigosa
Há quatro anos, a família da dona Maria dos Santos Lima enfrenta o medo diário ao atravessar uma ponte de madeira destruída de aproximadamente 120 km de extensão dentro do assentamento Antônio Conselheiro. A estrutura está na divisa dos municípios de Tangará da Serra e Barra do Bugres, a 242 km e 164 km de Cuiabá, respectivamente. Mesmo com o perigo iminente, a necessidade de passar é maior. "Eu passo e meu coração chega a gelar. Para voltar para casa vou ter que passar de novo. É uma pouca vergonha que esses políticos veem uma situação dessas há tanto tempo que essa ponte está estragada e não tomam providência, mesmo sabendo o tanto de gente que precisa passar de um lado para outro", desabafou dona Maria.
O município de Barra do Bugres, responsável pela ponte, informou que já solicitou madeiras que estão apreendidas na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) para reformar a estrutura, mas não obteve resposta. A Defesa Civil estadual disse que acompanha a situação e orientou a gestão pública a decretar emergência pública no local. Até o momento, nenhuma medida concreta foi tomada.
Estrutura precária e riscos
Em fevereiro deste ano, uma equipe técnica da Secretaria de Infraestrutura de Tangará da Serra vistoriou o local e constatou diversos problemas na estrutura da ponte. Reparos paliativos foram feitos na parte superior, segundo os moradores, mas desde então a situação piorou. Atualmente, a ponte apresenta tábuas soltas, buracos e falta de segurança estrutural, tornando a travessia arriscada para veículos e pedestres.
O motorista José Valdecir Lima, marido de dona Maria, relatou a dificuldade: "O jeito é fazer outra ponte. Não é fácil, não. Essa ponte nem é tão velha. Acho que foi a madeira que colocaram que é fraca demais. Está feio, horrível. É triste. Eu nem ia passar aqui, eu ia dar a volta, que é mais longe. Eu liguei para meus cunhados para dar uma olhada se dá para passar. Só que é perigoso". A única passagem mais segura fica a 40 km de distância, mas aumenta significativamente o tempo da viagem, tornando-se inviável para os moradores.
Impacto na comunidade
Ao menos 90 famílias dependem da travessia para acessar serviços essenciais como saúde e educação, além de transporte de mercadorias. A situação limita o desenvolvimento local e isola a região. Os moradores pedem a construção de um acesso de concreto sobre o Rio Sepotuba, um dos principais afluentes da bacia do Rio Paraguai, que garantiria segurança e durabilidade.
O lavrador José Pereira dos Santos enfatizou a importância da ponte: "Para nós, é necessária essa ponte porque ela liga todos os lados aqui. Se quiser ir para Tangará passando por dentro do assentamento. Quem vem de Tangará e passar pela Marechal vai sair aqui. A gente tinha problemas de estrada, mas já foram consertadas. E a gente quer passar, ninguém quer dar volta de 40 km". A comunidade espera uma solução definitiva que acabe com o perigo e garanta o direito de ir e vir.



