O Palacete Imperial, localizado no Centro do Rio de Janeiro, está interditado há 18 anos devido ao risco de desabamento e atualmente abriga cerca de 40 pessoas que o ocupam de forma irregular. Apesar de ser um patrimônio histórico tombado, o imóvel nunca passou por um restauro efetivo, acumulando promessas não cumpridas ao longo das últimas duas décadas.
Histórico de abandono e ocupação
Construído no século XIX, o Palacete Imperial já foi sede de importantes instituições, mas desde 2008 está interditado pela Defesa Civil. A ocupação por aproximadamente 40 moradores, muitos deles em situação de vulnerabilidade, ocorre há pelo menos cinco anos, segundo relatos de vizinhos. A estrutura do edifício apresenta rachaduras, infiltrações e partes do telhado desabadas, o que agrava os riscos para os ocupantes e para a segurança pública.
Responsabilidades e projetos frustrados
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) são os órgãos responsáveis pelo imóvel. Ao longo dos anos, diversos projetos de restauro foram anunciados, mas nenhum saiu do papel. Em 2020, a UFRJ chegou a lançar um edital para reforma, que foi cancelado por falta de recursos. O Iphan, por sua vez, afirma que o tombamento federal impõe restrições, mas que a universidade é a proprietária e deve arcar com a manutenção.
Novo projeto cultural: Observatório de História, Memória e Arte
Uma nova proposta busca dar destinação ao Palacete Imperial: transformá-lo no Observatório de História, Memória e Arte do Rio de Janeiro. O projeto, que seria financiado via Lei Rouanet, prevê a restauração completa do edifício e a instalação de um centro de pesquisa, exposições e atividades culturais. A iniciativa é encabeçada por um grupo de arquitetos e historiadores, que já protocolaram a proposta no Ministério da Cultura. “O Palacete Imperial é um símbolo do descaso com o patrimônio carioca. Este observatório pode ser a chance de resgatá-lo e devolvê-lo à cidade”, afirmou a coordenadora do projeto, Maria Beatriz Lemos.
Impacto social e cultural
Caso o projeto seja aprovado, os ocupantes atuais deverão ser realocados, o que gera preocupação entre os moradores. “A gente não quer sair sem ter para onde ir. O prédio é nosso lar, mesmo em condições precárias”, disse Joana Silva, uma das ocupantes. A proposta do observatório inclui a criação de um programa de moradia temporária para essas famílias, mas ainda não há garantias. O Palacete Imperial, se restaurado, poderá se tornar um importante polo cultural no Centro do Rio, atraindo turistas e pesquisadores, além de preservar a memória histórica da cidade.



