A aposentada Márcia Zago, de 68 anos, foi uma das moradoras da Pompéia que acordou com o forte odor na madrugada deste sábado (1º). Ela relatou ao g1 que o cheiro, semelhante ao de gás de cozinha, invadiu o apartamento por volta das 6h30 e provocou dor de cabeça nela e nos porteiros do prédio onde mora. “Não consegui ficar no apartamento. Logo nos mobilizamos para checar os marcadores de gás do prédio, essa foi nossa primeira suspeita”, afirmou. Márcia contou que entrou em contato com a Comgás, mas não teve retorno.
O caso não foi isolado. As queixas se espalharam por bairros que vão do José Menino até a Ponta da Praia, com maior concentração entre moradores que vivem próximos à orla. Segundo relatos, o odor causou náuseas e dores de cabeça em parte da população. A maioria das denúncias foi feita por pessoas que residem em imóveis voltados para o mar, área mais atingida pelo vento.
Moradora diz que cheiro “ficou na garganta”
Outra moradora da Pompéia, a aposentada Cintia Araújo, de 63 anos, também foi despertada pelo cheiro, por volta das 6h. “Fiquei com o cheiro na garganta”, disse ela ao g1. Cintia já havia sentido o mesmo aroma na manhã de sexta-feira (31), por volta das 8h. Ela afirmou que a situação se normalizou por volta das 7h40 deste sábado, mas que o medo de intoxicação ou explosão permaneceu entre os moradores. “Ainda está estranho”, completou.
A intensificação do odor foi registrada por volta das 23h de sexta-feira (31), quando o cheiro semelhante ao gás de cozinha se espalhou pela madrugada. Moradores da orla relatam que o problema só começou a diminuir ao amanhecer. O Corpo de Bombeiros informou que recebe reclamações desde a madrugada de sexta, mas não deu mais explicações.
Prefeitura aponta operação no Porto de Santos
Em nota, a Prefeitura de Santos disse que a Defesa Civil acionou a Cetesb durante a madrugada para apurar a situação. Segundo a administração municipal, uma operação não especificada no Porto de Santos teria causado o odor, e a atividade já foi interrompida e sanada.
“Devido às condições de tempo e vento, o cheiro se espalhou pela cidade. Inicialmente no Estuário, Embaré, Macuco. A Defesa Civil recebeu algumas ligações. Até o momento não há registro de vítimas e quaisquer danos”, diz o trecho da nota.
O g1 solicitou posicionamentos à Cetesb, à Autoridade Portuária de Santos (APS) e à Comgás, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Vazamento de amônia não tem relação
Na noite de quinta-feira (30), um vazamento de amônia em uma fábrica de gelo causou um problema semelhante, mas foi contido. As autoridades não relacionam os dois casos.
O que se sabe até agora
- O Corpo de Bombeiros recebe reclamações sobre o cheiro desde a madrugada de sexta-feira (31);
- A intensificação foi registrada por volta das 23h, com odor de gás de cozinha;
- Os relatos vão do José Menino até a Ponta da Praia, principalmente na orla;
- Moradores tiveram náuseas, dores de cabeça e medo de intoxicação ou explosão;
- A prefeitura aponta uma operação no Porto de Santos como origem, já interrompida;
- A Cetesb foi acionada pela Defesa Civil para apurar o caso;
- Não há registro de vítimas ou danos até o momento;
- O vazamento de amônia de quinta-feira, em uma fábrica de gelo, não está relacionado.



