O setor da construção civil, historicamente dominado por homens, tem registrado um aumento significativo na participação feminina nos últimos anos. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que, entre 2018 e 2023, o número de mulheres empregadas na construção cresceu 35%, totalizando cerca de 180 mil trabalhadoras em todo o Brasil. Apesar do avanço, elas ainda representam apenas 8% da força de trabalho do setor.
Desafios persistentes no canteiro de obras
As trabalhadoras enfrentam obstáculos como preconceito, assédio e falta de infraestrutura adequada, como banheiros femininos e equipamentos de proteção individual (EPIs) adaptados. "A gente ouve piadas e comentários desrespeitosos. Muitas vezes, temos que provar que somos capazes o tempo todo", relata Maria Aparecida da Silva, pedreira há 12 anos em São Paulo. A falta de creches e horários flexíveis também dificulta a permanência de mulheres com filhos.
Iniciativas para inclusão
Empresas do setor têm implementado programas de diversidade para atrair e reter talentos femininos. A construtora Dino, por exemplo, criou um comitê de equidade de gênero e oferece treinamentos contra assédio. "Queremos que as mulheres se sintam seguras e valorizadas. A diversidade traz inovação e melhora o ambiente de trabalho", afirma Carla Mendes, diretora de RH da Dino. Além disso, parcerias com escolas técnicas têm incentivado jovens a ingressar em cursos de elétrica, hidráulica e operação de máquinas.
Impacto na produtividade e inovação
Estudos indicam que equipes diversas são mais produtivas e inovadoras. Na construção, a presença feminina tem contribuído para a redução de acidentes e melhoria na comunicação. "As mulheres tendem a ser mais detalhistas e cuidadosas, o que reduz retrabalhos", observa o engenheiro Paulo Ricardo, da Associação Brasileira de Construção. No entanto, a diferença salarial ainda é uma realidade: mulheres ganham, em média, 20% menos que homens na mesma função.
Perspectivas para o futuro
Especialistas acreditam que a tendência de crescimento da participação feminina deve se manter, impulsionada por políticas públicas e mudanças culturais. O governo federal lançou em 2025 o programa "Mulheres na Obra", que oferece capacitação e linhas de crédito para empresas que contratarem mulheres. Para a trabalhadora Maria Aparecida, o futuro é promissor: "Minha filha está fazendo curso de solda. Quero que ela tenha mais oportunidades do que eu tive".



