Muitos podem torcer o nariz, mas o mocotó tem conquistado espaço como opção de café da manhã entre trabalhadores no Mercado Público de Porto Alegre. Desde antes das 7h, clientes já buscam o prato quente e reforçado como alternativa ao desjejum tradicional.
Preparo e tradição
Preparado com miúdos bovinos e feijão branco, o prato de um dos restaurantes do local leva cerca de 24 horas de cozimento até ficar pronto. A receita, que tem origem no período da escravidão, foi adaptada ao longo do tempo e se tornou uma iguaria popular no Rio Grande do Sul.
"É o prato mais tradicional do nosso inverno. E o frio, justamente, é o motivo de nós gostarmos tanto do mocotó", diz o aposentado Ronaldo, um dos clientes mais tradicionais do Mercado Público.
Em uma das lanchonetes onde é servido, o mocotó costuma ficar pronto por volta das 7h. Ao meio-dia, a procura aumenta e chega a cerca de 60 kg vendidos por dia.
Prato reforçado para enfrentar o frio
Segundo o cozinheiro Giovanni, responsável pelo preparo, o segredo do prato é atenção ao processo e aos produtos usados. Ele garante que o mocotó é uma das melhores opções para aquecer o corpo.
“Chega aqui de casaco e sai sem. O mocotó aquece muito. São 24 horas cozinhando, com higienização e produtos de qualidade, tudo 100% miúdo do boi, com muito tempero”, afirma.
O prato leva acompanhamentos como linguiça, mondongo (estômago do boi), azeitona, ovo, temperos e pode ser servido com pão. O caldo mais espesso também é apontado pelos consumidores como fonte de aquecimento nos dias frios.
Em uma das lanchonetes visitadas pela reportagem, o mocotó é vendido a R$ 39, com acompanhamentos. Há também a opção de uma porção maior, que serve duas pessoas, por R$ 60.
Tradição gaúcha
O consumo do prato pela manhã ainda divide opiniões, mas tem forte presença na cultura local, especialmente no inverno. Para muitos clientes, trata-se de uma refeição completa, que substitui o café da manhã convencional e ajuda a enfrentar o frio logo nas primeiras horas do dia.
“É muito bom, ajuda a trabalhar. Fico o dia todo de pé”, diz um frequentador.



