Hotel Maksoud Plaza recusou pedido de Axl Rose e marcou época em São Paulo
O Hotel Maksoud Plaza, que fechou as portas recentemente, ficou conhecido por um episódio emblemático em 1992: horas antes de Axl Rose, líder do Guns N' Roses, jogar uma cadeira contra repórteres no saguão, seus assessores pediram ao hotel que retirasse os jornalistas do local. O pedido foi negado. Roberto Maksoud, filho do fundador e diretor do hotel desde a inauguração em 1979, explicou à equipe do roqueiro que era impossível atender à solicitação, argumentando que o hotel já havia recebido outras bandas sem precisar impedir o trabalho da imprensa.
Filosofia de hotelaria: luxo e acolhimento para todos
A resposta dada a uma das maiores estrelas do rock mundial ilustra o conceito de hotelaria do Maksoud Plaza: muito luxo, conforto, privacidade e eficiência para hóspedes que pagavam diárias que, nos tempos áureos, variavam de 250 a 1.600 dólares, mas também um clima acolhedor para não hóspedes. Essa filosofia foi detalhada por Roberto Maksoud em 1986 no Suplemento de Turismo do Estadão: “O hotel é uma instituição que de tempos imemoriais acolhe os viajantes em busca de pousada. Sua tradição é de sempre receber com dignidade um visitante, independente de seu credo, raça, cor ou convicção política, alimentando, dando pousada e segurança a quem o procura e congregando em suas dependências manifestações culturais, científicas ou comerciais, entre outras. Sua existência é imprescindível, em uma nação civilizada, ao intercâmbio nacional e internacional”.
Diferencial humano e serviços de ponta
Quando o Maksoud foi eleito o melhor hotel da América Latina e do Brasil por leitores da revista Euromoney, Roberto Maksoud afirmou que não eram a tecnologia e os serviços de ponta que o distinguiam dos concorrentes. "Todo hotel cinco-estrelas oferece isso. O hotel destaca-se pelo lado humano, no atendimento e nos serviços. Meu primeiro hóspede continua sendo cliente até hoje", disse.
Lobby como praça pública: um ponto de encontro
Com um grande átrio que lembrava uma praça pública, o lobby do Maksoud não se parecia com outros hotéis onde a segurança intimida visitantes. Vários bares, cafés, restaurantes, salão de beleza e lojas faziam do saguão térreo um local de convivência, não apenas uma recepção. Mesmo quem não tinha dinheiro para usufruir das comodidades podia circular, admirar e sonhar. A grande circulação também se devia aos inúmeros eventos corporativos, gastronômicos e culturais realizados nos salões com piso acarpetado e teto com placas de estilo móbile, que criavam um efeito visual único.
Eventos históricos e coquetel de drogas de Chet Baker
O hotel sediou entrevistas coletivas dos Ramones em 1987 e do iniciante diretor Quentin Tarantino em 1992, além de lançamentos de filmes, desfiles de moda, transmissões ao vivo do Oscar com festa, palestras, seminários e festivais de comidas típicas. Na música, o 150 Night Club recebeu artistas de vários estilos e comédias stand-up. Astros como os Rolling Stones se hospedaram lá em 1995. Em 1985, o músico Chet Baker sofreu uma overdose de um coquetel de drogas em seu quarto e foi reanimado por um médico, segundo o biógrafo James Gavin no livro No Fundo de um Sonho.
Infraestrutura de mini-cidade e café da manhã lendário
A infraestrutura impressionante fazia do hotel uma mini-cidade. No apagão nacional de 1999, quando São Paulo ficou às escuras, pessoas que estavam na região da Avenida Paulista se lembraram do potente gerador do Maksoud e foram para lá, encontrando o hotel em pleno funcionamento, podendo beber e comer no piano-bar como se a crise energética não estivesse acontecendo. O café da manhã, que popularizou o termo brunch em São Paulo, também era um sucesso. Muitos viajantes que paravam no local, já que um serviço de transporte do Aeroporto de Guarulhos fazia parada ali, optavam por desfrutar do banquete matinal mesmo sem se hospedar.
Arquitetura e legado: um cartão postal de São Paulo
A arquitetura do Maksoud favorecia a convivência entre hóspedes e visitantes, com uma ampla área livre na calçada da rua São Carlos do Pinhal. Fãs que se reuniam para tietar astros entravam no hall e podiam circular sem impedimentos. Localizado a uma rua da Avenida Paulista, o hotel era de fácil acesso para turistas que queriam conhecer e tirar fotos, assim como ocorre com o Waldorf-Astoria em Nova York, o Plaza Athénée em Paris e o Ritz em Londres. Representava para São Paulo o que o Copacabana Palace simboliza para o Rio de Janeiro: um cartão postal que deixará saudade.



